Esportes

Zagueiro ganha indenização inédita após perder 75% dos movimentos do pé direito

Marcos Aurélio sofreu lesão no nervo fibular da perna direita, mas acabou dispensado

Em janeiro deste ano, durante a pré-temporada do União Barbarense, de São Paulo, o zagueiro Marcos Aurélio, então com 36 anos, sofreu um grave acidente que causou problema no nervo fibular da perna direita. O clube rejeitou arcar com o tratamento e dispensou o jogador.

O atleta, que ficou com o pé praticamente imóvel após perder 75% dos movimentos por causa da negligência do clube, entrou na Justiça em fevereiro. Após quase dez meses de imbróglio, os advogados Filipe Rino e Thiago Rino ganharam a ação em primeira instância. A sentença foi publicada na última terça-feira, em decisão inédita na esfera esportiva no Brasil.

Neste período de discussão judicial, o defensor, que já defendeu Palmeiras, São Caetano e Bragantino, fez vários exames, tirou dinheiro do próprio bolso para comprar medicamentos e teve de provar que tinha contrato assinado desde dezembro de 2013 com o time de Santa Bárbara d´Oeste, interior de São Paulo. Ele conseguiu derrubar a acusação de que tinha firmado vínculo no começo de 2014, comprovando que estava com a documentação regularizada quando se machucou.

“Não entendi o motivo da mentira, da tentativa de provarem o contrário. Graças a Deus sempre guardei meus documentos, sempre fui sério e correto”, declarou Marcos Aurélio, em entrevista exclusiva à agência LANCE!Net.

O União Barbarense foi condenado a pagar de uma vez só a Marcos Aurélio, agora com 37 anos e impossibilitado de trabalhar, R$ 360 mil de pensão vitalícia (equivalente a 30 anos de salário – considerando a média brasileira de expectativa de vida, que é de 70 anos). O ex-atleta também receberá valores correspondentes a mais três anos de contrato do seu último salário (R$ 9 mil/mês) pela compensação dos lucros cessantes, já que pesquisas clínicas afirmaram que ele teria condições de seguir jogando até os 39, além de indenização substitutiva pela não contratação de seguro (R$ 13 mil) e por danos morais (R$ 50 mil). Ao todo, o processo, que tem mais de 400 páginas, gira em torno de R$ 750 mil.

“Tenho muita dificuldade para andar. Não uso muleta, mas preciso levantar e forçar mais a coxa para pisar com o pé direito. Só consigo fazer força para cima, não consigo fazer força para baixo. Espero que a minha vitória na Justiça sirva de exemplo para outros jogadores e que isso não aconteça mais no futebol”, desabafou.

De acordo com a justiça, o prazo é de até oito dias para recorrer da decisão, mediante ao pagamento de um depósito recursal de aproximadamente R$ 25 mil. Os advogados de Marcos Aurélio, no entanto, não acreditam na sequência da defesa.