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Zagueiro Régis: "Não consegui voltar a jogar"

Jogador foi afastado dos gramados por causa de uma agressão do centroavante Darzone

Foram mais de 20 dias em coma. Régis travou uma batalha pela sobrevivência e ainda carrega marcas
Foram mais de 20 dias em coma. Régis travou uma batalha pela sobrevivência e ainda carrega marcas Foto : CP Memória
Estádio Centenário, Caxias do Sul, 13 de novembro de 1999. Em campo, Caxias e Guarani de Bagé se enfrentam pela Copa Mais Fácil da Federação Gaúcha de Futebol. O jogo se encaminhava para o final e, em uma bola alçada na área, o então centroavante Darzone, do Guarani de Bagé, acerta um soco pelas costas na nuca do zagueiro Régis, do Caxias. O restante da história muitos já conhecem.

Resumindo, Régis Thadeu da Rosa Júnior, na época aos 21 anos, ficou 20 dias em coma, nunca mais pôde voltar a jogar futebol profissionalmente e, hoje, pouco mais de dez anos depois, ainda carrega marcas daquele dia. Aluno do curso de Educação Física da Ulbra, ele atualmente faz estágio voluntário no Aimoré, de São Leopoldo.

Régis travou uma dura batalha para se recuperar do ''acidente'', chegou a perder 37kg, ficou em coma vigil – a pessoa pode abrir e fechar os olhos mesmo inconsciente – num quarto na casa dos pais, fez dois anos de fisioterapia, enfim, os obstáculos pareciam nunca ter fim. ''Ainda preciso tomar remédio para não ter convulsões'', diz. O ano de 1999 era o primeiro de Régis como jogador profissional. Contratado pelo Caxias junto ao Inter, surgiu como uma grata revelação, mas teve a carreira interrompida precocemente.

Sentado em um dos bancos de reservas do estádio João Correa da Silveira, mais conhecido como Cristo Rei, em São Leopoldo, Régis falou ao CP. Contou como chegou ao futebol profissional, exaltou a família, disse não lembrar do dia em que foi agredido por Darzone e revelou: ''Se ele (Darzone) viesse hoje falar comigo eu conversaria com ele tranquilamente. Não guardo mágoas, perdoaria o Darzone'', disse. ''Eu não me lembro de nada que ocorreu naquele dia. Cheguei a ver o lance depois e o Darzone foi maldoso mesmo. Meus pais nunca tiveram coragem e nem querem ver o lance'', conta Régis.

''O Darzone nunca veio falar comigo, perguntar como eu estava. Eu esperava que ele viesse mas, pelo que ele fez, ao mesmo tempo eu não esperava'', acrescenta.

A dor maior foi ter que ficar afastado do futebol. O sonho de ser jogador profissional durou apenas alguns meses. ''Tentei voltar a jogar quatro vezes. Mas não tenho condições, perdi muita coordenação motora. Mas eu consegui voltar ao meio do futebol. Hoje estou aqui no Aimoré fazendo estágio voluntário, estou no ambiente que eu gosto, que me dá prazer'', comentou. Régis participa apenas de jogos entre amigos na cidade de Gravataí, onde mora com os pais.

''É impressionante a força que eu tinha e a vontade de voltar a jogar, mas infelizmente não deu'', lamentou. Em determinado momento da conversa, aproxima-se o goleiro do Aimoré, Rafael Rodrigo da Rosa, 26 anos, irmão de Régis. Ele lembra dos momentos difíceis vividos pela família no final daquele ano.

''Passamos o Natal e o Ano-Novo com o Régis em estado de coma vigil. Abria os olhos, mas não lembrava de nada. Minha mãe passou três meses dormindo agarrada ao Régis para que ele não arrancasse os tubos que os médicos colocaram no pescoço (Régis precisou fazer uma traqueostomia)'', lembra Rafael.

Mas a situação mais complicada se deu quando Rafael foi jogar no São Gabriel e acabou virando colega de time de Darzone. ''Quando eu soube pensei em rescindir o contrato. No 4º ou 5º dia que eu estava lá o Darzone veio falar comigo. Eu desabafei com ele, mas ele não falava nada. Fiquei convivendo com ele durante cinco meses, foi uma época duríssima''. Em 2007, Darzone acabou sendo condenado a dois anos de prisão – cumpriu um terço em regime aberto e o restante em condicional.