Andreia Gentilini

Gramado à mesa: novidades gastronômicas para curtir em família

Vila da Mônica Gramado investe na gastronomia como parte importante da experiência do parque

Foto : Mari Martins / Divulgação / CP

Gramado é daqueles destinos que sempre reservam uma novidade, especialmente para quem viaja com crianças e não abre mão de comer bem. Em uma escapada recente com meus filhos, fui conhecer de perto a nova proposta gastronômica da Vila da Mônica Gramado, que está investindo na gastronomia como parte importante da experiência do parque. E a visita me surpreendeu! No Restaurante da Vila, o novo cardápio leva a assinatura do chef Fábio Hyppolito, com uma proposta contemporânea que combina referências de diferentes cozinhas do mundo sem perder de vista o paladar das famílias. Entre as opções, provei o salmão em crosta de ervas, acompanhado de molho de limão, legumes grelhados e purê de batatas, e fiquei encantada com o nível da execução, o cuidado na apresentação e o equilíbrio de sabores. Meus filhos, por sua vez, adoraram os pratos kids da casa, mostrando que é possível agradar aos pequenos sem abrir mão da qualidade.

A experiência ficou ainda mais especial com a recepção da CEO do parque, Manoela Moschem, e a oportunidade de conhecer essa nova fase da gastronomia. Outro destaque foi o Empório Nhô Lau, que ganhou uma linha de confeitaria assinada pelo chef pâtissier Ricardo Campos, profissional com formação internacional e trajetória de mais de duas décadas na área. Se o salmão já havia me conquistado, os doces do café foram uma surpresa à parte: preparações cuidadosas, sabores bem construídos e aquele capricho que transforma uma pausa para o café em um momento especial. A proposta é interessante justamente por unir dois universos que nem sempre caminham juntos em atrações infantis: o entretenimento e a boa mesa. Assistir ao tradicional show com os personagens da Turma da Mônica e, ao mesmo tempo, desfrutar de uma refeição de qualidade torna o passeio diferente. Como sommelier, senti falta de uma carta de vinhos para completar a experiência dos adultos — algo que espero encontrar em breve.

O Empório do Nhô Lau conta com experiência de Ricardo Campos | Foto: Mari Martins / Divulgação / CP

Para quem deseja prolongar essa combinação de diversão e gastronomia, minha sugestão é o Hotel Ritta Höppner, um dos endereços mais charmosos e tradicionais da hotelaria gramadense. Com uma história familiar iniciada em 1958, o hotel reúne arquitetura inspirada nos chalés bávaros, atendimento acolhedor e uma atmosfera que convida a desacelerar. Um dos pontos altos da hospedagem é o tradicional chá da tarde em estilo inglês, oferecido como cortesia aos hóspedes: uma pausa deliciosa, com doces, salgados e o charme de um ritual que faz parte da identidade da casa. Para quem viaja em família, vale procurar as acomodações que contam com piscina aquecida privativa dentro do quarto, um diferencial que transforma a estadia em uma atração à parte para as crianças — e também em um convite ao descanso para os adultos. É aquele tipo de experiência em que o hotel deixa de ser apenas um lugar para dormir e passa a fazer parte do roteiro.

E há mais um motivo para incluir o Ritta Höppner no planejamento: os hóspedes têm acesso gratuito ao Mini Mundo, parque de miniaturas com réplicas de construções de diferentes partes do mundo, que encanta crianças e adultos. Assim, a viagem ganha um roteiro completo, com brincadeiras, descobertas, bons momentos à mesa e tempo de qualidade em família. Gramado tem essa capacidade de se reinventar sem perder o encanto, e a combinação entre a novidade gastronômica da Vila da Mônica e a hospitalidade tradicional do Ritta Höppner mostra que diversão infantil e gastronomia podem, sim, dividir o protagonismo. Afinal, viajar com os filhos também pode ser uma oportunidade de descobrir novos sabores, valorizar experiências bem feitas e voltar para casa com boas histórias — e algumas deliciosas lembranças.

PROVEI E AMEI | Cinco vinhos especiais

  1. Aurora Millésime Cabernet Sauvignon 1991 – Vinícola Aurora, Serra Gaúcha (Brasil): Um vinho histórico para a vitivinicultura brasileira. A safra 1991 marcou a primeira edição do Millésime, rótulo elaborado pela Aurora em safras excepcionais, e em 2026 completa 35 anos. Produzido com Cabernet Sauvignon, amadureceu por 12 meses em barricas de carvalho americano. Ao longo de décadas, a evolução em garrafa pode desenvolver notas de frutas maduras, especiarias, tabaco e nuances terrosas, com taninos mais integrados. Apresentado em uma imponente garrafa de 9 litros, é uma raridade que celebra a história e a longevidade do vinho brasileiro.
  2. Vértice Safra 2023 – UVVA, Chapada Diamantina (Bahia): Um tinto doce licoroso que revela a personalidade do terroir tropical de altitude. Elaborado com 50% Cabernet Sauvignon e 50% Cabernet Franc, provenientes de vinhedos a 1.150 metros de altitude, passa por 20 dias de fermentação alcoólica e amadurece durante 24 meses em barricas de carvalho francês. Com 18% de teor alcoólico, apresenta coloração vermelho-rubi com tons terrosos. No nariz, revela especiarias, ameixa-preta, frutas passas, tabaco e cacau. Em boca, equilibra doçura, acidez e álcool, com textura sedosa, taninos finos e final longo e harmonioso. Uma criação que evidencia a diversidade da produção brasileira e combina muito bem com sobremesas de chocolate amargo e queijos intensos.
  3. Petit Chablis – Maison Albert Bichot, Borgonha (França): Fundada em 1831, a Maison Albert Bichot é uma das tradicionais produtoras da Borgonha. Neste Petit Chablis, a Chardonnay expressa o lado mais fresco e vibrante dos brancos do norte da região. Os solos calcários contribuem para um perfil marcado por notas cítricas, frutas brancas, flores delicadas e nuances minerais. Fresco, leve e com acidez vivaz, é um vinho versátil, ideal para acompanhar ostras, frutos do mar, peixes e entradas delicadas. Uma bela expressão da elegância borgonhesa, que valoriza a pureza da fruta e a identidade do terroir.
  4. Campo ai Sassi Rosso di Montalcino – Frescobaldi, Toscana (Itália): Da histórica família Frescobaldi, com séculos de tradição vitivinícola, este tinto é elaborado com Sangiovese na denominação Rosso di Montalcino, na propriedade CastelGiocondo. Mais jovem e acessível que o célebre Brunello da região, oferece uma interpretação elegante e gastronômica da casta. No perfil aromático, destacam-se frutas vermelhas e negras, como cereja, groselha e amora, além de notas florais de violeta e nuances de especiarias. Em boca, combina frescor, taninos delicados e final persistente. Um vinho que traduz a essência da Toscana e acompanha muito bem massas com molho de tomate, risotos de cogumelos, carnes assadas e a clássica cozinha italiana.
  5. Paradox Blend – Bodega Alandes, Mendoza (Argentina): Um corte branco que amplia o olhar sobre a produção argentina, tradicionalmente reconhecida por seus tintos. Elaborado com Sémillon e Sauvignon Blanc, combina a textura e a complexidade da primeira com o frescor e a expressão aromática da segunda. A altitude e a amplitude térmica de Mendoza, aos pés da Cordilheira dos Andes, favorecem a preservação da acidez e dos aromas das uvas. A combinação das castas oferece uma proposta interessante para acompanhar peixes, frutos do mar, queijos de massa mole e pratos com ervas frescas. Um branco de perfil gastronômico que convida a descobrir outras facetas do vinho argentino.