Cristiano Paiva


Uma constelação à mesa

Neste prato de tagliatelle, o filé mignon, os funghi e a rúcula ocupam órbitas próprias e trazem harmonia nas diferenças

O céu nos ensina que a beleza raramente está em um único ponto luminoso. Ela nasce das relações: da distância entre as estrelas, do contraste entre luz e sombra, da delicada geometria que transforma pontos dispersos em constelações. Na cozinha, algo semelhante acontece.

Neste prato, o filé mignon, o funghi e a rúcula ocupam órbitas próprias. A carne traz densidade e calor; o cogumelo, profundidade terrosa; o pesto, feito de rúcula, parmesão, castanhas e azeite, introduz uma nota verde, fresca e quase luminosa. O tagliatelle funciona como espaço entre eles — envolve e permite que cada sabor permaneça reconhecível. A sofisticação, aqui, não está no excesso, mas na precisão. O filé deve ser apenas selado. O molho precisa alcançar uma textura sedosa. E o pesto entra somente no final, preservando o frescor da rúcula.

Talvez seja essa uma das lições que a astronomia e a cozinha compartilham: harmonia não significa apagar diferenças, mas encontrar a distância para que cada elemento possa brilhar.

Tagliatelle com iscas de filé mignon, funghi e pesto de rúcula

INGREDIENTES

Massa e filé

  • 250 g de tagliatelle
  • 250 g de filé mignon em tiras
  • 1 colher de sopa de azeite
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 2 dentes de alho picados
  • sal e pimenta-do-reino a gosto

Molho de funghi

  • 25 g de funghi secchi
  • 150 ml de água quente para hidratar o funghi
  • 1/2 cebola pequena picada
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 100 ml de vinho branco seco
  • 150 ml de creme de leite
  • 30 g de parmesão ralado
  • sal e pimenta-do-reino a gosto

Pesto de rúcula

  • 1 xícara de rúcula
  • 30 g de parmesão ralado
  • 30 g de castanhas-do-pará ou nozes
  • 1 dente pequeno de alho
  • 80 ml de azeite
  • sal a gosto
  • algumas gotas de limão

MODO DE PREPARO

  1. Coloque os funghi secchi na água quente por cerca de 20 minutos. Retire, pique e reserve. Coe a água da hidratação para usar no molho.
  2. Bata ou processe a rúcula, o parmesão, as castanhas, o alho, o azeite e uma pitada de sal. Finalize com algumas gotas de limão. O ideal é deixar o pesto mais fresco e não muito líquido.
  3. Tempere as tiras de mignon com sal e pimenta. Aqueça bem uma frigideira com azeite e sele a carne rapidamente, em fogo alto, até dourar por fora. Retire e reserve. Não cozinhe demais.
  4. Na mesma frigideira, coloque a manteiga e refogue a cebola e o alho. Acrescente os funghi picados e refogue por 2 minutos. Adicione o vinho branco e deixe reduzir pela metade. Junte cerca de 100 ml da água do funghi e cozinhe por alguns minutos.
  5. Acrescente o creme de leite e o parmesão. Mexa em fogo baixo até formar um molho cremoso. Ajuste o sal e a pimenta.
  6. Cozinhe o tagliatelle em água abundante e bem salgada, deixando-o al dente. Reserve uma xícara da água do cozimento antes de escorrer. Misture a massa ao molho de funghi. Se estiver muito espesso, adicione um pouco da água da massa.
  7. Volte com as iscas de filé mignon para a frigideira e misture delicadamente por cerca de 1 minuto.
  8. Sirva imediatamente e finalize com pontos de pesto de rúcula por cima, em vez de misturá-lo completamente ao molho. Assim, você sente o contraste entre o funghi cremoso e o pesto fresco. Acrescente um pouco de parmesão ralado.

DICA

Não deixe o pesto cozinhar. O calor excessivo escurece a rúcula e tira justamente o frescor que faz esse prato ficar especial.