Um gol sofrido ou feito de uma equipe, um título ganho ou perdido por um clube, a saída ou chegada de um jogador. Tudo isso nunca tem apenas um fator envolvido. O retorno cada vez mais próximo de Tetê ao Grêmio não é diferente. Trocar a Grécia pelo Brasil envolve mais do que simplesmente a própria vontade.
A primeira questão é financeira. Após rechaçar o empréstimo, o Panathinaikos aceitou vender seu camisa 10 por um valor que se aproxime dos 6 milhões de euros pagos ao Galatasaray. Um segundo fator é voltar a trabalhar com Luís Castro, que conheceu no Shakhtar Donetsk, destino de sua saída direto da base em 2019 e onde teve os melhores números.
"Era um time que jogava no esquema 4-2-3-1 e o Tetê jogava pela direita. Os times do Castro gostam de atacar com velocidade e naquele dia foi muito valente. Eles olharam para o Real Madrid e disseram 'nós vamos ganhar de vocês'”, relembra Tati Mantovani, repórter da TNT, em Madrid.
Um gol e uma assistência no 3 a 2 dos visitantes no Estádio Alfredo Di Stéfano, em plena pandemia em 2020, foi uma espécie de cartão de visitas na Europa. Depois, Tetê rodou por Lyon, Leicester e Galatasaray. A experiência adquirida lá fora, diz quem o conhece, será bem aproveitada. "Ele vai sobrar no futebol brasileiro. Tem uma resistência física fenomenal e se cuida muito. É acima da média e está muito entusiasmado para voltar", garante Luiz Ferrari Jr., diretor da base do Grêmio quando Tetê foi vendido.
Aliás, o negócio de alguma maneira resgata uma relação do clube com o representante do jogador. Pablo Bueno enfrentou resistência não só com Renato na época, mas com Romildo Bolzan novamente com Ferreirinha em 2020.
Houve problemas também com Adriel e Alberto Guerra em 2023 e, agora, o empresário dono também do volante Thiaguinho, pode estar perto de trazer o pupilo de volta. "Ele era novinho e a proposta era muito boa para todas as partes. E ele não tinha espaço com o Renato", completa Ferrari. Sete anos depois, o que não faltará é espaço para Tetê.