Um diálogo aberto com a população que circula pelo Centro Histórico de Porto Alegre, é o objetivo de um grupo que se reuniu no Largo Glênio Peres, ao lado do Mercado Público, para chamar a atenção para as mudanças climáticas. O evento, intitulado Mobilização por Justiça Climática, é fruto de uma iniciativa de diversas entidades, organizações e movimentos sociais, somando-se a outras iniciativas semelhantes que também ocorrem em outras capitais brasileiras, na data em que é iniciado o Encontro do G20 no Rio de Janeiro.
Conforme a integrante do movimento Eco Pelo Clima e organizadora do evento, Renata Padilha, a ideia do grupo era já ter realizado a mobilização há algum tempo, porém, por conta das chuvas e depois das eleições, foi necessário o adiamento, até que chegasse, nesta semana, à sua realização. “Todos os movimentos, organizações da sociedade civil e pessoas envolvidas são preocupadas em falar com a população, que não é algo que a gente não vê acontecer na nossa sociedade, sobre mudanças climáticas, principalmente após um cenário externo que a gente acabou de passar”, explica.
Renata destaca que, desde o ano passado, o grupo pede que seja feito um decreto de emergência climática no Estado. “Queremos que o aquecimento global seja reconhecido como algo grave, para a nossa própria sobrevivência aqui na terra. Também cobramos medidas de mitigação e adaptação do poder público”, acrescenta.
Por ocorrer em paralelo a outras ações no Brasil, além das questões climáticas, outras pautas também são reivindicadas pelo grupo. “Nosso objetivo também é falar sobre como a COP29 e o G20 são insuficientes para lidar com os problemas que a gente vive atualmente. Mas a gente não pode falar sobre justiça climática sem falar sobre justiça social. E a crise climática é interseccional e impacta as pessoas de forma desproporcional. Então, também falamos sobre saneamento básico, acesso à moradia segura e acesso a um alimento de qualidade”, conclui.
Além disso, pautas como a defesa da Reforma Agrária, redução da jornada de trabalho, investimento em energias limpas, promoção de alimentos ecológicos a toda população, gestão integrada de resíduos sólidos, tratamento de esgoto e acesso à água para toda população, territórios livres de mineração, punições aos responsáveis por queimadas criminosas e demarcação de territórios indígenas e quilombolas também estão fazem parte da mobilização.
No local da manifestação, além das faixas e cartazes, diversas ações de conscientização e críticas às autoridades políticas são realizadas. Há, ainda, a possibilidade de a população assinar um manifesto proposto pelo grupo.