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Ameaça de armas biológicas e erros militares aceleram debate sobre canal direto de IA entre EUA e China

Diálogo entre potências visa prevenir incidentes e atuações imprevisíveis da inteligência artificial no setor militar e de segurança

Há um reconhecimento mútuo de que usos indevidos ou falhas operacionais prejudicam ambas as potências
Há um reconhecimento mútuo de que usos indevidos ou falhas operacionais prejudicam ambas as potências Foto : ANDREJ IVANOV / AFP

Os riscos associados à inteligência artificial (IA) — do uso cibercriminoso ao receio de decisões militares autônomas — têm levado China e Estados Unidos a avaliar canais de diálogo para prevenir incidentes.

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sugeriu a criação desses meios de comunicação ao defender a transição de uma situação de opacidade para uma maior transparência, embora a proposta ainda apresente alcance limitado.

A iniciativa responde à preocupação de que a tecnologia atue de modo imprevisível ou acelere o ritmo das decisões militares sem controle humano.

Para Jean-Marc Rickli, diretor de Riscos Globais e Emergentes do Centro de Política de Genebra, há um reconhecimento mútuo de que usos indevidos ou falhas operacionais prejudicam ambas as potências.

O analista traça um paralelo com a criação do "telefone vermelho" entre EUA e União Soviética após a crise dos mísseis em Cuba, em 1962.

Ele cita um caso recente em que forças americanas quase abordaram um navio chinês com base em dados falsos gerados por IA.

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Divergências estratégicas e visões de governança

Embora especialistas e centros de pesquisa de ambos os países mantenham conversas desde 2023 sobre os modelos mais avançados de empresas como OpenAI, Anthropic, DeepSeek e Alibaba, as prioridades governamentais divergem.

Conforme aponta Mathilde Viellet, do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri), Pequim prioriza a segurança interna e o combate aos deepfakes.

Washington, por sua vez, foca no risco de perda de controle e no desalinhamento de sistemas autônomos.

As diferenças também se refletem no modelo de desenvolvimento.

Os Estados Unidos priorizam códigos fechados e privados para proteger sua vantagem comercial, enquanto a China aposta no código aberto para acelerar avanços tecnológicos.

A consultoria Teneo indica que nenhum dos dois governos demonstra disposição para firmar compromissos vinculantes no momento.

Mecanismos de contenção e uso de risco

Para mitigar cenários críticos, Rickli defende um canal direto para casos em que sistemas militares ajam com rapidez excessiva ou baseados em dados incorretos.

Já Mathilde Viellet propõe um "telefone vermelho" para situações de perda de controle técnico ou ameaças de atores mal-intencionados.

A urgência desse monitoramento foi ilustrada em setembro, quando a Anthropic revelou cinco tentativas de uso do seu modelo Claude aplicáveis ao desenvolvimento de armas biológicas.

Apesar da utilidade de uma coordenação flexível entre as potências, o pesquisador americano Matt Sheehan avalia que as ações mais relevantes em governança e segurança da inteligência artificial continuarão sendo implementadas de forma individual, no âmbito nacional de cada País.