Lionel Bonaventure / AFP / CPMilhares de anúncios que teriam sido difundidos no Facebook e no Instagram pela empresa russa Internet Research Agency foram publicados nesta quinta-feira por legisladores americanos para ilustrar o esforço que existiu para fomentar a raiva e a divisão na sociedade americana na eleição presidencial de 2016.
Os democratas da Comissão de Inteligência da Câmara de Representantes publicaram registros de mais de 3 mil anúncios que foram difundidos entre 2015 e 2017, que supostamente foram colocados pela empresa relacionada com o Kremlin, Internet Research Agency. A sociedade com sede em São Petersburgo supostamente dissemina desinformação e propaganda política por meio da Internet e da mídia na Rússia, bem como em países onde Moscou quer ter influência política.
Os anúncios e mensagens mostram um padrão de ira entre diferentes grupos, encorajando o apoio o candidato presidencial Donald Trump e desencorajando a simpatia por sua adversária Hillary Clinton. Havia anúncios colocados em páginas conservadoras do Facebook que alertavam sobre ataques à Polícia e sobre o perigo relacionado à migração, ou que ligavam ativistas negros a muçulmanos. Contrariamente, também havia anúncios colocados em páginas de negros focados na brutalidade policial e em grupos supremacistas, muitas vezes vinculados a artigos que avivavam a fúria de membros da comunidade negra.
Alguns eram apenas engraçados ou curiosos, fazendo com que parecesse que foram criados para obter curtidas e direcionar os usuários para páginas que tinham mais conteúdo político. Muitas publicações eram conhecidas, mas a base de dados publicada nesta quinta-feira dá uma ideia do esforço para dividir durante a campanha eleitoral. "A única maneira com que podemos inocular contra futuros ataques é vendo em primeira mão o tipo de mensagens, temas e imagens que os russos usaram para nos dividir", assinalou o representante Adam Schiff, democrata do Comitê de Inteligência.
O Facebook indicou que os 3 mil anúncios estariam ligados a 470 "páginas e contas falsas", que foram fechadas. A rede social anunciou em abril novas medidas, como especificar quem financia os anúncios políticos e verificar a sua identidade.