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Aumenta a pressão sobre Musk por geração de imagens sexuais por IA

Ofensiva ocorre após ferramenta ser utilizada para gerar uma avalanche de imagens íntimas não consentidas

Vários países adotaram medidas drásticas para barrar o Grok
Vários países adotaram medidas drásticas para barrar o Grok Foto : IDREES MOHAMMED / AFP

Vários países adotaram medidas drásticas nesta quinta-feira (15) para barrar o Grok, chatbot de inteligência artificial da plataforma X. As Filipinas se tornaram o terceiro país do Sudeste Asiático a proibir a ferramenta, seguindo Malásia e Indonésia, enquanto Reino Unido e França exigem o cumprimento imediato de suas legislações.

A ofensiva ocorre após o Grok ser utilizado para gerar uma avalanche de imagens íntimas não consentidas (deepfakes) envolvendo mulheres e menores de idade.

O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, iniciou uma investigação sobre a xAI, empresa de Elon Musk, por facilitar o assédio em larga escala. O governador Gavin Newsom classificou a proliferação desses conteúdos como "vil" e reiterou tolerância zero à disseminação de material pedopornográfico.

Em resposta, a equipe de segurança do X anunciou que bloqueará geograficamente a criação de imagens de pessoas com "roupas reveladoras" em países onde a prática é ilegal, limitando as funções de edição apenas a assinantes pagos.

O “modo picante” e a toxicidade digital

O "modo picante" do Grok permite a criação de montagens explícitas a partir de comandos de texto simples. Uma análise da ONG AI Forensics revelou que, de 20.000 imagens geradas pelo chatbot, mais da metade retratava pessoas com pouca roupa, sendo 81% mulheres e 2% com aparência de menores.

Nas Filipinas, o secretário de Telecomunicações, Henry Rhoel Aguda, defendeu a proibição total da ferramenta para combater o conteúdo tóxico potencializado pela IA.

Pressão global e regulação europeia

A comissária francesa para a infância, Sarah El Haïry, encaminhou o caso ao Ministério Público e à União Europeia, que já solicitou a suspensão total deste tipo de geração de conteúdo.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer celebrou a promessa de conformidade da rede X, mas sinalizou disposição para reforçar as leis vigentes se as medidas tecnológicas falharem.

Paralelamente, uma coalizão de 28 grupos da sociedade civil enviou cartas à Apple e ao Google exigindo a remoção do X e do Grok de suas lojas de aplicativos.