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Carros elétricos exigem mais cuidados durante alagamentos e enchentes?

Veículos tem vantagens em algumas situações em relação aos modelos à combustão, mas requerem atenções diferentes

Modelos não sofrem o risco do calço hidráulico, mas podem ter baterias comprometidas
Modelos não sofrem o risco do calço hidráulico, mas podem ter baterias comprometidas Foto : Camila Cunha / CP Memória

A sequência de dias de chuva no RS, com alguns lugares ameaçados por cheias de rios e alagamentos, gera dúvidas sobre cuidados com a nova tecnologia que avança sobre o trânsito das rodovias gaúchas, o carro elétrico: eles são mais vulneráveis aos alagamentos do que os veículos a combustão? A resposta é não. E também não são mais perigosos em casos extremos, apenas exigem adaptações.

Embora utilizem baterias de alta tensão, os modelos atuais contam com sistemas de proteção que desligam automaticamente a alimentação elétrica em caso de falhas. Ainda assim, especialistas e fabricantes alertam que nenhum automóvel foi projetado para enfrentar enchentes e que a travessia de áreas alagadas deve ser evitada.

Conforme as fabricantes BYD e GWM, os veículos elétricos possuem a “bateria de alta tensão instalada em um compartimento vedado, geralmente sob o assoalho, desenvolvido para resistir à chuva intensa e ao contato eventual com a água dentro dos limites estabelecidos em projeto”. Caso os sensores identifiquem infiltração ou alguma anormalidade, o sistema interrompe automaticamente a passagem de energia, reduzindo o risco de choque elétrico.

Isso, porém, não significa que o veículo esteja livre de danos. A permanência em água por longos períodos ou a submersão acima dos níveis suportados pode provocar infiltração na bateria, corrosão de conectores, falhas em módulos eletrônicos e danos ao sistema de refrigeração. Em alguns casos, os problemas surgem apenas dias ou semanas após a enchente, tornando indispensável uma avaliação técnica.

A recomendação das montadoras é que os motoristas mantenham as revisões em dia, verifiquem periodicamente as condições das vedações e evitem qualquer modificação na proteção inferior da bateria. Conforme as fabricantes, ao encontrar uma via inundada, a orientação é procurar um caminho alternativo e não tentar atravessar. Além do risco de danos ao veículo, a água pode esconder buracos, tampas de bueiro abertas, objetos e apresentar correnteza suficiente para arrastar o automóvel. Se não houver outra opção, a travessia deve ser feita em velocidade baixa e constante, sem acelerações bruscas e sem interromper o deslocamento no meio da água.

Na comparação com os modelos a combustão, os elétricos têm uma vantagem importante: como não possuem sistema de admissão de ar para alimentar um motor convencional, praticamente eliminam o risco de calço hidráulico, uma das principais causas de perda total em veículos que atravessam enchentes. Em contrapartida, caso a bateria de alta tensão seja comprometida pela infiltração de água, o custo do reparo pode ser elevado. Por isso, independentemente da tecnologia utilizada, especialistas reforçam que a melhor forma de evitar prejuízos é não enfrentar áreas alagadas e submeter o veículo a uma inspeção sempre que houver contato com a água.

Caso o veículo pare durante o alagamento, o motorista deve priorizar a própria segurança e abandonar o automóvel se houver risco. Depois disso, a recomendação é não tentar religar o carro nem conectá-lo ao carregador. Os fabricantes enfatizam que, mesmo usando baterias, os elétricos não oferecem risco de choque, exatamente pelas proteções que envolvem as baterias. O veículo deve ser removido por guincho até uma concessionária ou oficina autorizada, onde serão verificados a bateria de alta tensão, o isolamento elétrico, os conectores e os demais componentes eletrônicos.