Jornal com Tecnologia

China acelera indústria de robôs humanoides; ações da Unitree disparam em estreia na Bolsa

Apesar da recepção do mercado, o uso comercial dos aparelhos permanece limitado à pesquisa e exibições

Especialistas apontam que o desenvolvimento do "cérebro" das máquinas para reagir de forma autônoma a cenários reais é o principal desafio técnico da área
Especialistas apontam que o desenvolvimento do "cérebro" das máquinas para reagir de forma autônoma a cenários reais é o principal desafio técnico da área Foto : HECTOR RETAMAL / AFP

As ações da fabricante chinesa de robôs humanoides Unitree dispararam mais de 600% nesta quarta-feira (19) em sua estreia no mercado STAR da Bolsa de Xangai — segmento voltado à tecnologia e comparado ao Nasdaq americano. A empresa de Hangzhou, cujas máquinas ganharam projeção global ao realizar cambalhotas e praticar kung fu em trajes tradicionais, viu seus papéis passarem do preço de oferta de 150,80 yuans para o pico de 1.100 yuans no início da sessão. As ações fecharam o dia cotadas a 845 yuans (alta de 460%).

"Foi o mercado lançando um sinalizador sobre a próxima fronteira especulativa da China. A IA física virou o novo objeto de desejo", avaliou Stephen Innes, estrategista global da Quintex Intel.

Apresentações na Conferência Mundial de Robótica

O IPO coincidiu com a abertura da Conferência Mundial de Robótica, em Pequim, onde o estande da marca destacou modelos como o GD01 — robô de três metros que alterna entre as posições bípede e quadrúpede —, além de protótipos que devolvem saques de pingue-pongue e executam coreografias. Na segunda-feira, a empresa já havia apresentado o "Superman", humanoide projetado para saltar até dois metros e atingir velocidade de 12,66 metros por segundo.

Outras companhias do setor no país asiático também avançam na captação de recursos, a exemplo da UBTech, que abriu capital em Hong Kong após lançar o "U1", apresentado como o primeiro humanoide ultrarrealista em tamanho real voltado à produção em massa. Segundo o governo chinês, que declarou a robótica como indústria estratégica, mais de 140 empresas locais lançaram mais de 330 modelos do gênero até o ano passado.

Veja Também

Gargalos comerciais e tensão geopolítica

Apesar da recepção do mercado, o uso comercial dos aparelhos permanece limitado à pesquisa e exibições. Especialistas apontam que o desenvolvimento do "cérebro" das máquinas para reagir de forma autônoma a cenários reais é o principal desafio técnico da área.

"A próxima fase não consiste tanto em demonstrar que um robô é capaz de caminhar, mas em demonstrar que pode executar atividades úteis do ponto de vista econômico", afirmou o analista Kangyuxiao Li, da Morningstar.

A aceleração do segmento colocou a robótica no centro da rivalidade entre Pequim e Washington. Embora os equipamentos da Unitree sejam utilizados por companhias americanas como Nvidia, Google e Amazon, a empresa entrou em junho para a lista de sanções dos Estados Unidos sob acusação de apoiar o Exército chinês. No mês seguinte, o governo de Donald Trump proibiu a importação de robôs humanoides e quadrúpedes vindos da China por razões de segurança nacional.