Os resultados das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos provocaram uma intensa turbulência no mercado de ações de tecnologia nesta sexta-feira (6). A vitória contundente do Partido Democrata, que assumiu o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, reacendeu o receio de novas regulamentações e da desaceleração dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA). A onda de liquidação teve início em Wall Street na quinta-feira — quando cerca de US$ 2,5 trilhões em valor de mercado foram eliminados e o índice Nasdaq despencou 5,5%, em sua pior sessão desde abril de 2025 — e se alastrou para as bolsas asiáticas e europeias, segundo informações da CNN.
Na Ásia, onde as gigantes de semicondutores desempenham papel central na cadeia global de suprimentos, os índices fecharam em forte queda. O índice Kospi, da Coreia do Sul, chegou a tombar 9% e acionou um mecanismo de interrupção automática das negociações por 20 minutos, encerrando o dia com recuo de 6%. A Samsung perdeu mais de 6% e a SK Hynix recuou mais de 10%. No Japão, o Nikkei 225 caiu 6%, arrastado por perdas na Tokyo Electron (-9%) e Kioxia (-13%). Em Taiwan, o índice Taiex fechou em baixa de 4,5%, após registrar queda momentânea de 8% puxada pela fabricante de chips TSMC.
Impacto da política sobre a infraestrutura de IA e reação na Europa
A apreensão dos investidores centra-se na possibilidade de o novo Congresso norte-americano bloquear ou desacelerar os pesados aportes das "hiperscalers" — como Meta, Amazon e Google — em novos centros de dados para IA. O relatório da Columbia Business School destaca que os investimentos em infraestrutura de IA foram responsáveis por impulsionar praticamente todo o crescimento do PIB dos EUA no final do ano passado, segundo citou a CNN.
Contudo, o forte impacto comunitário e ambiental dessas estruturas transformou os gastos do setor em bandeira eleitoral, elevando o risco regulatório sobre a cadeia de componentes na Ásia e nos EUA.
Na Europa, os mercados abriram a sessão de sexta-feira operando em baixa. Por volta das 6h25 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 caía 0,99%, amortecido por sua menor exposição a empresas de tecnologia pura. As maiores perdas se concentravam em mídia, saúde e varejo, todas recuando mais de 2%.
Próximo das 6h38, a Bolsa de Londres cedia 1,28%, Paris caía 0,89% e Frankfurt recuava 1,12%, enquanto Milão (-0,40%), Madri (-0,31%) e Lisboa (-0,81%) também operavam no vermelho. O ambiente de aversão ao risco no continente coincide com a decisão do Banco da Inglaterra (BoE) de elevar a taxa básica de juros para 4% e com a expectativa em torno do relatório de emprego (payroll) nos EUA, decisivo para a reunião de dezembro do Federal Reserve.
Ajuste técnico nos futuros norte-americanos
No pré-mercado dos Estados Unidos, os contratos futuros sinalizavam uma tentativa de recuperação parcial após o forte expurgo da véspera. As ações da Nvidia e da SpaceX, que haviam despencado mais de 9% no pregão de quinta-feira, subiam cerca de 4% no pré-mercado de sexta-feira.
No início das negociações futuras, o Dow Jones cedia 0,8%, enquanto o S&P 500 avançava 0,3% e o Nasdaq subia 1,4%, refletindo um movimento técnico de investidores em busca de ativos cotados a preços com desconto.
Com informações da AFP.