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Corte de internet vira instrumento de repressão cada vez mais frequente, diz executivo da Proton

Picos anormais na demanda por redes privadas virtuais (VPNs) costumam preceder ondas de repressão e apagões digitais

Megacorte de internet no Irã deixou 90 milhões de pessoas desconectadas por três semanas
Megacorte de internet no Irã deixou 90 milhões de pessoas desconectadas por três semanas Foto : Ahmad Al-Rubaye / AFP / CP

Cortes totais de acesso à rede e bloqueios de plataformas digitais consolidam-se como estratégias de governos autoritários para amordaçar a dissidência. Segundo o Observatório VPN da empresa suíça Proton, essa tendência de "censura extrema" tem sido detectada de forma antecipada através do comportamento dos usuários.

Em entrevista à AFP, Antonio Cesarano, chefe de produtos da Proton, revelou que picos anormais na demanda por redes privadas virtuais (VPNs) costumam preceder ondas de repressão e apagões digitais.

O termômetro da censura: Irã, Venezuela e Uganda

O Observatório utiliza sua infraestrutura para mapear violações da liberdade online. Dados recentes mostram que, pouco antes do megacorte de internet no Irã em 8 de janeiro — que deixou 90 milhões de pessoas desconectadas por três semanas —, o uso de VPNs da Proton saltou 1.000%.

Comportamento semelhante foi registrado na Venezuela (alta de 770% após a captura de Nicolás Maduro) e em Uganda (aumento de 890% antes das eleições de janeiro). Para Cesarano, esses números indicam que a população busca ferramentas de anonimato ao prever restrições iminentes.

Especialistas da Proton apontam uma evolução perigosa: a comercialização de tecnologias de vigilância entre países. David Paterson, diretor-geral da Proton VPN, destaca que Mianmar, Paquistão e nações africanas passaram a adotar versões do "grande firewall" chinês.

Em países como Mianmar, onde VPNs são ilegais, o governo utiliza aplicativos falsos como armadilhas para identificar dissidentes e realiza vistorias físicas em dispositivos móveis.

Paralisia econômica e "medidas extremas"

O bloqueio total da internet é classificado pela Proton como uma medida drástica que, além de encobrir violações de direitos humanos e mortes em protestos, paralisa a economia local.

Cesarano ressalta que cortes prolongados são frequentemente usados pelos Estados para testar e aprimorar novas capacidades de filtragem de conteúdo, transformando a infraestrutura de telecomunicações em uma ferramenta de monitoramento permanente contra a sociedade civil.

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