Taiwan reafirmou, nesta sexta-feira (16), seu compromisso em permanecer como o principal polo global de semicondutores após selar um pacto estratégico com Washington. O acordo prevê a redução de tarifas recíprocas de 20% para 15% e projeta uma realocação massiva da produção para solo americano.
O objetivo dos Estados Unidos é alcançar a autossuficiência tecnológica, trazendo 40% da cadeia de suprimentos taiwanesa para o território americano para mitigar riscos de segurança nacional.
Principais pontos do acordo
O tratado estabelece que empresas taiwanesas, como a gigante TSMC, realizarão novos investimentos diretos de pelo menos US$ 250 bilhões para expandir a fabricação de chips avançados nos EUA.
Adicionalmente, o governo de Taiwan fornecerá garantias de crédito de igual valor para facilitar essa expansão.
A projeção de capacidade produtiva para chips de inteligência artificial foi dividida em metas: a proporção entre Taiwan e EUA deve ser de 85-15 até 2030, evoluindo para 80-20 até 2036.
O fim do “Escudo de Silício” e a pressão de Pequim
O domínio taiwanês, conhecido como "Escudo de Silício", é o que motiva os EUA a protegerem a ilha contra ameaças da China. No entanto, a possibilidade de um bloqueio ou invasão por Pequim acelerou a pressão pela descentralização da indústria.
A China já manifestou oposição ao pacto, alegando violação de sua soberania. Em Taiwan, o acordo ainda depende do Parlamento, onde a oposição teme que a ilha perca sua relevância estratégica ao transferir tecnologia de ponta para o Arizona e outros estados americanos.
Além dos semicondutores, o acordo limita a 15% as tarifas sobre autopeças e madeira, enquanto medicamentos genéricos e recursos naturais específicos serão isentos de taxas recíprocas. Em contrapartida aos investimentos, Washington prometeu tratamento tributário ainda mais favorável no futuro para fabricantes que operarem nos EUA.
A TSMC celebrou o fortalecimento das relações comerciais, destacando que a estabilidade entre as nações é essencial para o avanço das tecnologias de IA da Nvidia e dispositivos como o iPhone.