A Europa inaugurou, nesta sexta-feira (5), na Alemanha, o Jupiter, o supercomputador mais rápido do continente. Com um poder de processamento equivalente ao de um milhão de smartphones, o sistema é a aposta europeia para competir com os Estados Unidos e a China na corrida pela inteligência artificial (IA) e para impulsionar a pesquisa em áreas cruciais como a previsão climática.
O Jupiter é o primeiro supercomputador de exaescala da Europa, o que significa que é capaz de realizar um quintilhão de cálculos por segundo. O projeto, sediado no Centro de Supercomputação de Jülich, no oeste da Alemanha, custou 500 milhões de euros (R$ 3,2 bilhões), financiados em conjunto pela União Europeia e pela Alemanha.
Jupiter e a corrida pela IA
O supercomputador, construído por um consórcio liderado pela empresa Eviden, é visto como um marco para a Europa. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, destacou que, apesar do atraso do bloco em relação aos EUA e à China no desenvolvimento de modelos de IA, o Jupiter pode ajudar a Europa a "recuperar" o terreno perdido. O sistema, que funciona com 24.000 chips da Nvidia, será utilizado por pesquisadores e empresas para treinar seus próprios modelos de IA.
De acordo com o pesquisador José María Cela, do Centro Nacional de Supercomputação de Barcelona, "quanto maior o supercomputador, melhor será o modelo desenvolvido com IA". A Europa, no entanto, continua a depender da tecnologia americana para seus chips.
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Outras funções e o consumo de energia
Além do foco em IA, o Jupiter terá uma ampla gama de aplicações científicas. Uma de suas principais funções será aprimorar as previsões climáticas, permitindo que os cientistas simulem a mudança do clima em horizontes de tempo de até 100 anos, o que pode ajudar a antecipar eventos extremos. O supercomputador também será usado para simular processos cerebrais em pesquisas médicas e otimizar designs de energia renovável.
O sistema exigirá cerca de 11 megawatts de energia para funcionar, o equivalente ao consumo de milhares de residências. O centro de Jülich planeja usar o calor residual gerado pelo computador para aquecer edifícios próximos, minimizando o impacto ambiental.
Liderança global em supercomputação
Com a inauguração do Jupiter, a Europa se consolida na vanguarda da supercomputação. O continente tem cinco dos dez computadores mais potentes do mundo. No entanto, os três supercomputadores de exaescala mais potentes do planeta, El Capitan, Frontier e Aurora, estão localizados nos Estados Unidos. A China também tem supercomputadores exascala, mas seus dados de desempenho são confidenciais.