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Executivos da IA se reúnem com Trump na Casa Branca

Presidente americano se encontra com líderes de tecnologia em meio a apelos por supervisão e debate sobre riscos

CEO da Anthropic, Dario Amodei, chega a Casa Branca antes de reunião planejada com Donald Trump, em Washington, DC
CEO da Anthropic, Dario Amodei, chega a Casa Branca antes de reunião planejada com Donald Trump, em Washington, DC Foto : Oliver Contreras / AFP / CP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá uma reunião nesta terça-feira (29), na Casa Branca, com executivos do setor da inteligência artificial em meio aos apelos para que o Congresso reforce a supervisão da indústria.

Uma série de incidentes relatados por OpenAI, Anthropic, Google e Meta nos últimos meses, após ações fora de controle de vários modelos de IA, deu um novo rumo ao debate sobre a segurança dessa tecnologia.

O tema surgiu em plena campanha para as eleições legislativas de 3 de novembro e logo foi retomado pela oposição democrata.

Mark Zuckerberg (Meta), Sundar Pichai (Google), o presidente da OpenAI, Greg Brockman, além de Dario Amodei (Anthropic), Jensen Huang (Nvidia), Alex Karp (Palantir), Jeff Bezos (Amazon) e Elon Musk (X, Tesla, SpaceX) são esperados para um almoço na Casa Branca, informou à AFP uma autoridade americana. O investidor David Sacks, ex-assessor especial de Trump para IA, também está na lista.

Na véspera da reunião, a OpenAI anunciou o adiamento do lançamento de seu modelo de ponta, previsto para outubro, porque ele desviava das instruções recebidas e tentava enganar seus supervisores.

A mesma empresa reconheceu na semana passada que agentes desenvolvidos com modelos da OpenAI acessaram os sites de três agências federais americanas e que um de seus modelos invadiu um portal de dados de saúde do governo australiano.

Por sua vez, a Anthropic, responsável pelo modelo Claude, advertiu os investidores antes de sua abertura de capital que a IA pode representar "riscos existenciais para a humanidade", informou nesta terça-feira o jornal Financial Times.

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Preocupação do eleitorado

Trump apresentou nesta terça-feira um novo portal, America.gov, destinado a reunir cerca de 29 mil sites do governo federal americano.

Construído diretamente com a ajuda da inteligência artificial, o portal promete responder a qualquer solicitação dos usuários e, supostamente, não guardar nenhum tipo de informação pessoal.

Segundo o portal, as conversas e os dados de localização dos usuários serão apagados automaticamente após a consulta.

A IA se destina "essencialmente a bons usos" e, caso contrário, o governo acabará com "os maus usos", afirmou Trump. Os Estados Unidos não "sucumbem ao medo" das novas tecnologias, acrescentou.

Uma pesquisa publicada pela CNN afirma que 82% dos americanos se declaram "preocupados" com o desenvolvimento da IA.

No entanto, Trump considera as advertências exageradas e defende um desenvolvimento sem restrições para superar a China e impulsionar uma economia cada vez mais dependente do avanço dessa tecnologia.

Ele também criticou a rejeição social à instalação dos enormes centros de dados necessários para sustentar a IA, que encarecem a conta de luz e aumentam a pressão sobre os recursos hídricos e o solo.

Trump disse que as comunidades que se opõem a estas infraestruturas "querem acabar atrasadas e pobres" e que "a China não poderia estar mais feliz com o movimento contrário aos centros de dados".

"Equilíbrio adequado"

Mike Johnson, que preside a Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, afirmou que a reunião na Casa Branca se concentrará em encontrar "o equilíbrio adequado" entre inovação e supervisão.

"Não precisamos de uma moratória. Não temos que nos precipitar e regular isso em excesso, porque perderemos a corrida para a China", disse Johnson, que participará do almoço.

Parlamentares dos dois partidos elaboraram vários projetos de lei para regulamentar melhor o setor. Alguns exigem que as empresas sejam mais transparentes sobre o funcionamento de seus sistemas e as medidas de segurança que utilizam.

Mas, com a Câmara dos Representantes em recesso até o início de novembro e os senadores prestes a voltar a seus distritos eleitorais para fazer campanha, é improvável que o Congresso aprove uma legislação abrangente sobre o tema antes das eleições.