Mais de meia década depois, o sonho de jogar Final Fantasy VII Remake no Xbox aconteceu! A semi-exclusividade da Sony fez o jogo ficar disponível praticamente uma geração depois de consoles, mas a conversão responde bem às novas exigências. Gráficos afiados, com resolução adequada, assim como FPS estável. E de brinde, um pacote de “facilidades” para quem quer apenas curtir a história do jogo.
A chegada tardia ao ecossistema Xbox, em janeiro deste ano, não diminui o impacto de um dos títulos mais importantes da Square Enix nos últimos tempos. Muito pelo contrário: a versão foi claramente pensada para dialogar com um público mais amplo, incluindo quem nunca teve contato com o clássico original ou com o remake lançado inicialmente no PlayStation 4 em 2020. O jogador pode, literalmente, moldar a experiência: há opções para iniciar com os personagens de forma automática no nível 45; facilitando em muito os combates, para quem quer apenas curtir a história e as dinâmicas de jogo. É possível fixar o dano causado nos combates em 9.999 e até garantir o uso constante dos icônicos Limit Breaks.
Esse conjunto de facilidades aproxima o jogo de uma espécie de “modo história expandido”. Para novos jogadores, é uma porta de entrada eficiente para o universo de Midgar, permitindo acompanhar a jornada de Cloud Strife sem grandes barreiras. Já veteranos podem encarar essas opções como ferramentas para revisitar o enredo sob uma nova perspectiva, mais ágil e menos punitiva. A esses iniciados (alguns pós-graduados já), fica a crítica de não ter modo “hard” disponível de cara, para aumentar o desafio. É preciso completar o jogo nos modos “fáceis” antes.
Em termos técnicos, a conversão para Xbox é competente. Rodando em resolução elevada e com taxa de quadros estável, o jogo mantém o padrão visual que ajudou a redefinir o remake em sua estreia. Modelos de personagens continuam detalhados, a iluminação é consistente e os cenários urbanos de Midgar seguem impressionando, mesmo anos depois.
No entanto, nem tudo envelheceu com a mesma elegância. Um dos pontos mais frágeis está nos vídeos em FMV, herdados diretamente da versão original. Produzidos há cerca de seis anos, eles não acompanham o salto de qualidade das TVs e monitores 4K atuais. Em telas maiores, é possível notar compressão, perda de nitidez e até artefatos visuais, quebrando um pouco da imersão em momentos-chave da narrativa.
Outro aspecto que pode dividir opiniões é justamente o impacto das facilidades de acessibilidade no equilíbrio do jogo. Ao permitir dano elevado e Limit Breaks constantes, parte da tensão dos combates se perde, especialmente para quem valoriza o sistema híbrido de ação e estratégia que marcou o remake. Ainda assim, como são opções totalmente ajustáveis, cabe ao jogador decidir até que ponto deseja utilizá-las. Vale também usar as opções apenas para passar daquele chefão “impossível”, depois de morrer várias vezes; e depois voltar tudo para o normal.
Em comparação com a versão original do PlayStation, não há mudanças estruturais no conteúdo — a história, os capítulos e a base do gameplay permanecem os mesmos. Há, claro o “capítulo” Intergrade, em que os jogadores conduzem a ninja Yuffie numa espécie de “bastidores” de Midgard, uma história paralela com a carismática ninja de Wutai.
No fim das contas, a estreia de Final Fantasy VII Remake no Xbox é menos sobre novidade e mais sobre acesso. Trata-se de uma versão sólida, tecnicamente competente e que permite acesso rápido para quem quer só curtir.