Jornal com Tecnologia

Futurecom: Tendências tecnológicas para 2025

IEEE elencou as principais discussões na área da tecnologia a benefício da humanidade

IEEE elencou as principais discussões na área da tecnologia a benefício da humanidade
IEEE elencou as principais discussões na área da tecnologia a benefício da humanidade Foto : Futurecom / Divulgação / CP

O Futurecom 2024, uma das principais feiras de tecnologia da América Latina, iniciou nesta terça-feira em São Paulo. O evento é uma vitrine global dos produtos e serviços em funcionamento e também das tendências tecnológicas para o próximo ano.

Especialistas e membros do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) falaram durante o evento sobre assuntos que terão protagonismo em 2025. A conversa foi mediada por Sergio Poroger.

Veículos aéreos não-tripulados

Veículos não-tripulados aéreos devem ser uma realidade até 2030, projetou Euclides Chuma, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Para ele, essa implementação pode contribuir na área de resgate emergencial e até mesmo no controle de incêndios, como as queimadas. “Hoje é resolvido com bombeiros por helicópteros e avião, transportando água. Isso pode ser feito com drones”, afirmou, lembrando que esses equipamentos podem carregar até 100 kg.

A segurança deste ‘tráfego’ aéreos também é um assunto que requer regularização. De acordo com o pesquisador, as operadoras de telefonia devem oferecer esse serviço de radar - o que deve ainda agregar mais valor à sua cadeia de serviços, com o sensoriamento do espaço aéreo.

“As pessoas focam muito nos veículos terrestres, mas os aéreos são mais simples de implementar, em termos de tecnologia, porque tem um grau de liberdade, que é a altitude”, defende Chuma. A migração não é uma tendência só no Brasil. Na Suécia, destaca o especialista, há integração de vários serviços: drones para levar medicamentos mais rápidos, robôs de quatro apoios para socorros a vítimas em lugares remotos.

Digital Twin para resultados precisos

Para Cristiane Pimentel, professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), o digital twin – modelos virtuais de um produto – é uma das tecnologias que mais crescerá. A estimativa é de uma taxa anual de mais de 33% entre 2024 e 2032. Um dos seus benefícios é a transformação digital com sustentabilidade.

“Estudos são feitos em ambientes virtuais para simular a implementação de novas tecnologias, para ter um resultado mais efetivo”, afirmou a especialista, explicando que esse sistema, que proporciona uma espécia de protótipo digital, pode funcionar tanto para uma mudança de fluxo de trabalho como para agilizar o atendimento de pacientes em um centro de saúde.

A simulação evita a exposição de pacientes a mudanças bruscas, ao mesmo tempo que promove um atendimento especializado. “Na sala virtual eu posso estudar os vários cenários possíveis e escolher um que será adotado.”

Há ética na Inteligência Artificial?

É preciso aceitar: a Inteligência Artificial não é tão inteligente quanto parece. E não só isso. Uma série de fatores agregados pode fazer com que a IA seja uma ferramenta potencialmente perigosa nas mãos de pessoas que acham que a todo momento estão tomando uma decisão assertiva. O alerta parte de Esther Colombini, professora de Robótica e Inteligência Artificial e vice-diretora do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Esther levou para o Futurecom um assunto que ainda engatinha no mundo: o quão ética é a IA? Para além das discussões sobre direitos autorais, ela destaca outros efeitos deste modelo, como apagamento cultural e racismo. “Se a maioria dos dados que a IA usa são de língua inglesa, pode haver resultados enviesados”, lembra, citando outros exemplos como a identificação de uma pele negra em exames de imagem.

“IA não tem padrão. Estamos nadando num território sem lei. O grande perigo do viés é, por exemplo, os sistemas de aprendizado indutivo.Se os dados tem erros, o modelo está errado.” Para mitigar esses efeitos, Esther sugere um regulamentação e um acordo global sobre diretrizes para o tema.

Criptografia pós-quântica

Para Marcos Simplicio, professor de engenharia de Computação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (poli-USP), a criptografia pós-quântica está sendo uma área de muito investimento. “Esses computadores conseguem fazer processo de paralelismo mais rápido do que conseguimos fazer. Parece mágica. Simulação de moléculas, descoberta de novos medicamentos”, afirmou.

De acordo com Simplicio, a humanidade está trabalhando com 2030-2035 para a migração do algoritmo pós-quântico. Os padrões iniciais saíram no mês passado e agora a fase é de testes.

No entanto, grande parte dos algoritmos que são usados são vulneráveis a alguns ataques usando um computador quântico, como é o caso de assinaturas digitais.

Industria 4.0

Por que não colocar um robô pra fazer atividades mais práticas, repetitivas, e inseguras? As tecnologias têm vários desafios na indústria e na sociedade. Quando automatizamos processo, há redução de custo, além de uma tomada de decisões mais segura, lembra a pesquisadora do Grupo de Robótica, Controle e Processos Minerais do Instituto Tecnológico Vale (ITV) e professora do Programa de pós-graduação na Proficam e Ciência dos Materiais da Universidade Federal do Pará (UFPA).

“O humano que estava envolvido na atividade, precisa se reinventar, vai precisar mudar e se adaptar ao novo ambiente, desenvolver novas habilidades. Então, há como benefícios a criação de novas estruturas de negócios’, destaca Rosa.

O recurso humano precisa ser capacitado, lembra a professora, destacando que novas profissões vão aparecer e as pessoas precisam ter habilidade para se adaptar.