Está precisando saciar mais uma sede de vingança? Ghost of Yotei não inventa nem busca imensa profundidade na sua história, mas no fim das contas entrega uma narrativa completa de sangue e redenção, carregada por uma mecânica de combate bem desenvolvida e os gráficos cinematográficos esperados da atual geração PS5 e PS5 Pro.
Hora de cortar algumas trilhas vermelhas com sua katana em mais um título da Sucker Punch Productions no Japão feudal.
Ambientado cerca de 300 anos após os acontecimentos de Ghost of Tsushima, Ghost of Yōtei nos leva ao norte do Japão, à então remota região de Ezo (hoje Hokaido). A protagonista, Atsu, é uma mercenária atormentada que assume a persona de onryō — espírito vingador — para rastrear os “Seis de Yōtei”, responsáveis pelo massacre de sua família.
A sequência inicial mergulha o jogador já no trauma de Atsu, amarrada numa árvore para ser queimada viva, com toda sua família assassinada. Ferida, perfurada, em cacos, ela sobrevive para perseguir seus algozes.
Visual e ambientação
As escolhas gráficas são bem interessantes, com um começo sombrio, cheio de reflexos de luz num cenário de muito vento e escuridão noturna. Depois da primeira vingança, uma pausa com montanhas, campos verdejantes e bastante colorido na perseguição do próximo alvo. Quando o sombrio vai voltar a ser destaque, com os tons carmesins sanguíneos. O campo, as montanhas nevadas, o vento que leva as folhas — a Sucker Punch elevou aquilo que já chamávamos de “paisagem cinematográfica” a outro nível.
A combinação de luz, sombra, clima, terreno — e o controle sensível do DualSense ajudam no sentir da paisagem. Não há exatamente inovação, mas a entrega é nos maiores padrões do que o console oferece.
Jogabilidade e combate
O objetivo principal é sim fatiar samurais e capangas, mas a mecânica ajuda ter alguma participação no combate de espadas. Defesa, força, direção. Não é só apertar botões em sequência. Fora a evolução das armas, a liberdade para escolher confrontos, a exploração de Ezo a cavalo ou a pé.
A liberdade de exploração é condicional. Há um fio narrativo forte que liga as batalhas e a viagem interior da protagonista. Para quem gosta mais do mundo aberto, às vezes volta aquela sensação de estar amarrado na árvore.
História e personagens
A narrativa de Yōtei é carregada — de dor, de perda, de busca — mas também de alianças inesperadas, de reconstrução. A promessa não é só “vingança”, mas “o que vem depois dela”.
O arco de Atsu — solitária, ferida, determinada — ressoa. O elenco secundário ganha corpo. E embora talvez alguns momentos se arrastem, o impacto emocional permanece.
Pontos de destaque
Imersão audiovisual: gráficos, som, clima, tudo elevado.
Liberdade estratégica: a travessia de Ezo, os alvos dos Seis, o estilo de combate — você escolhe.
Referência a um clássico, mas com identidade própria
Limitações e ressalvas
Algumas missões secundárias sofrem de “eco de mundo aberto padrão” — com objetivos mais genéricos. Alguns ritmos narrativos vacilam. O roteiro trauma ou perda familiar importante gera sede de vingança e escolhas dúbias atormentadas não é exatamente uma novidade, nem de outros games e muito menos em vinganças ambientadas na Ásia...