A Microsoft Research apresentou, em estudo publicado na revista Nature nesta quarta-feira (18), avanços significativos no Projeto Silica. A iniciativa utiliza placas de vidro de silício puro para armazenar dados digitais de forma ultradurável e sustentável.
Diferente dos centros de dados atuais, que exigem refrigeração constante e trocas periódicas de hardware, o vidro é resistente a variações térmicas, umidade e interferências eletromagnéticas, prometendo manter as informações legíveis por até 10 mil anos.
Tecnologia de gravação e leitura em 3D
O sistema opera em quatro etapas validadas: gravação, armazenamento, leitura e decodificação. A gravação é feita por um laser de femtosegundo, que cria pixels tridimensionais chamados voxels no interior da placa. Esses dados são empilhados em camadas até preencher a espessura do vidro. Para a recuperação, um microscópio automatizado captura as imagens das camadas, que são processadas por inteligência artificial para retornar ao formato original.
Por não estarem conectados à rede, os dados ficam imunes a ataques cibernéticos remotos.
As dimensões do suporte impressionam pela densidade: uma placa de 12 cm² com apenas dois milímetros de espessura pode armazenar 4,84 terabytes. Segundo os pesquisadores, essa capacidade equivale a cerca de 2 milhões de livros ou 5 mil filmes em resolução 4K.
O sistema atinge uma velocidade de escrita de 65,9 megabits por segundo e não requer condições atmosféricas especiais para conservação, reduzindo drasticamente o custo e o impacto ambiental do armazenamento de longo prazo.
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Uma solução para a explosão de dados
Com a geração global de dados dobrando a cada três anos, o Projeto Silica surge como uma alternativa viável ao limite de vida útil dos discos rígidos convencionais. Embora o estudo não considere fatores como corrosão química extrema ou danos mecânicos, a resistência comprovada a temperaturas de até 290°C coloca o vidro de silício como o candidato mais robusto para a preservação do patrimônio digital da humanidade contra a degradação física e a obsolescência tecnológica.