Jornal com Tecnologia

Nvidia retoma produção de chips para clientes da China

Empresa recebe autorizações e pagará comissão ao governo dos EUA; novo processador H200 e OpenClaw impulsionam ações de IA na China

Para a Nvidia, a volta ao mercado chinês é vital para recuperar receitas que estavam zeradas no trimestre atual
Para a Nvidia, a volta ao mercado chinês é vital para recuperar receitas que estavam zeradas no trimestre atual Foto : IDREES MOHAMMED / AFP

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, confirmou nesta terça-feira (17) a retomada da fabricação de chips destinados especificamente ao mercado chinês. Após um período de paralisia nas entregas devido a restrições comerciais de Washington, a gigante americana recebeu as autorizações necessárias para exportar versões adaptadas de sua tecnologia, como o novo processador H200. A operação segue um acordo firmado com o governo dos EUA que prevê o pagamento de uma comissão de 25% ao Estado sobre as vendas para a China.

O próximo ChatGPT: o impacto do OpenClaw

Além do hardware, as declarações de Huang sobre software provocaram um rali nas bolsas asiáticas nesta quarta-feira (18). O CEO classificou o OpenClaw — um assistente de IA de código aberto — como o "projeto de open source mais bem-sucedido da história" e o "próximo ChatGPT". O comentário fez as ações de gigantes chinesas de IA, como MiniMax e Zhipu, dispararem cerca de 20% em Hong Kong e Xangai.

O OpenClaw, integrado à plataforma da Nvidia, permite que desenvolvedores criem agentes autônomos (chamados de "garras") capazes de planejar, executar tarefas e delegar funções a subagentes especializados.

Veja Também

Estratégia de mercado e soberania tecnológica

A retomada das vendas ocorre em um momento de cautela por parte de Pequim, que pretende aprovar as importações de forma gradual para evitar uma dependência excessiva da tecnologia americana. Por outro lado, para a Nvidia, a volta ao mercado chinês é vital para recuperar receitas que estavam zeradas no trimestre atual.

Analistas de mercado destacam que o sucesso do OpenClaw na China desloca a competição da força bruta dos chips para a capacidade de implementação de software e inferência. "Mesmo com gargalos de hardware, os vencedores da corrida da IA podem ser aqueles que implantarem agentes úteis em escala", afirma Charu Chanana, estrategista da Saxo em Singapura.