Foi naquela construção azul e branca e de formato peculiar localizada junto à avenida Ipiranga que muitos tiveram os primeiros contatos com imagens do espaço, dos planetas e de outros astros. Durante 50 anos, o Planetário da UFRGS recebeu grupos de jovens alunos de escolas de diversas partes do Estado e o público em geral para experiências imersivas voltadas à astronomia. E por todo esse tempo, as projeções na Cúpula Ary Nienow foram feitas pelo SpaceMaster, que já existia quando o prédio foi inaugurado, em 1972.
Agora, o Planetário Professor José Baptista Pereira ganha um novo sistema de projeção. No lugar do antigo aparelho analógico, um digital, mais moderno, e que permite atualizar as apresentações com as novas descobertas astronômicas. A diretora, Alejandra Romero explica que se trata de “uma tecnologia completamente diferente”.
“O SpaceMaster é um instrumento analógico, que conseguia projetar um céu muito verdadeiro, bem escuro, com estrelas bem definidas, mas deixava de fora a projeção de outros objetos celestes”, explica Alejandra. “Com o projetor digital, é mais parecido com um filme, podemos comparar assim. Temos mais movimento de imagem e, o que achamos mais importante, podemos atualizar as informações dos programas. Podemos ter programas do sistema solar, dos planetas, das galáxias, seguindo os avanços da astronomia e apresentando todas essas novidades na nossa cúpula.”
Outro aspecto que contribuiu para a aposentadoria do SpaceMaster foi a dificuldade de manutenção e reposição de peças de um equipamento tão antigo. A mudança havia sido anunciada no fim do ano passado, em celebração aos 50 anos do Planetário.
O espaço está fechado desde fevereiro para a reforma. Além da substituição do equipamento, o espaço foi pintado e recebeu novo piso.
Espaço está fechado para reforma desde fevereiro e reabre domingo, com programação especial / Foto: Luana Pazutti / Divulgação / Planetário / CP
Reabertura disputada
O Planetário reabre ao público no próximo domingo (3), com uma programação especial, explorando a formação do universo em apresentações imersivas, distribuídas ao longo da tarde. Para o primeiro dia, foram abertas cinco sessões, das 15h às 19h, e os ingressos já estão esgotados.
A próxima oportunidade para o público em geral é no dia 17 de setembro. Os ingressos estarão disponíveis a partir de segunda-feira (4) no site Sympla e custam R$ 15, com meia entrada para casos previstos em lei.
O Planetário recebe grupos de estudantes das escolas às terças, quartas e quintas-feiras. O restante do público pode conferir o Planetário aos domingos.
A apresentação é voltada ao público de todas as idades, sem restrição. A direção apenas orienta que a experiência pode ser desconfortável para crianças de até cinco anos, em função da sala escura e do som, e para pessoas sensíveis a imagens com movimentos bruscos.
Popularização da ciência
Após passar por alguns testes com o novo sistema de projeção, o Planetário realizou uma solenidade de reinauguração voltada a autoridades, nessa segunda-feira (28).
Para Gerson de Jesus Martins, coordenador de Educação Científica do Ciência do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, espaços como o Planetário são importantes por oferecerem a muitos jovens um primeiro contato com a ciência.
“A razão de ser da política pública de popularização da ciência é fomentar ações como esta, que permitem que espaços de divulgação científico, como este Planetário, possa estar recebendo crianças, jovens, estudantes, para que eles possam ter o despertar do interesse para a ciência”
O equipamento foi adquirido com recursos do Ministério, um investimento aproximado de R$ 500 mil.
O Planetário é vinculado à Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “O Planetário é um espaço de ensino não-formal. Então, além de um possível show, nós temos a missão de trazer conhecimento e fazer essa troca com as escolas e com o público que vem nos visitar”, explica a diretora Alejandra Romero.