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Robôs humanoides estão longe de transformar a indústria, diz Amazon Robotics

Tye Brady defendeu que o foco no problema, e não na forma, é o caminho correto para o desenvolvimento da IA física.

Diretor da Amazon Robotics, Tye Brady, disse que o mundo ainda está "nos estágios iniciais da robótica, da IA física"
Diretor da Amazon Robotics, Tye Brady, disse que o mundo ainda está "nos estágios iniciais da robótica, da IA física" Foto : AFP

Os robôs humanoides ainda estão longe de revolucionar o trabalho físico em fábricas e armazéns. A afirmação é do diretor da Amazon Robotics, Tye Brady, durante sua participação na Web Summit em Lisboa, onde defendeu que o foco no problema, e não na forma, é o caminho correto para o desenvolvimento da IA física.

"É um pouco como fazer tecnologia pela tecnologia", declarou Brady em entrevista à AFP, criticando o foco excessivo no formato humanoide. O executivo, que lidera o setor da Amazon especializado no desenvolvimento de robôs para os armazéns da empresa, enfatizou a filosofia de inovação da gigante do e-commerce:

"Sempre que pensamos em robôs, primeiro pensamos no problema que estamos tentando resolver e depois na forma que ele vai assumir. A partir da função, deduzimos a forma. Se começarmos pela forma, é como abordar o problema ao contrário."

A lição da Amazon: automação funcional

A Amazon baseia-se em um uso intenso de tecnologia em seus centros de distribuição, com mais de um milhão de robôs já em operação. Em escala mundial, existem mais de 4,5 milhões dessas máquinas em funcionamento, de acordo com a Federação Internacional de Robótica.

Na Amazon, a automação prioriza a funcionalidade: os robôs têm a forma de braços articulados projetados para agarrar e classificar objetos, ou de transportadores com rodas que movem cargas pesadas nos armazéns. O grupo não comercializa suas máquinas para outras empresas.

Brady sublinha que o mundo ainda está "nos estágios iniciais da robótica, da IA física". Ele reforça que, hoje, "não existe automação 100%".

Utilidade específica do formato humanoide

Apesar de questionar a prioridade do formato, Brady reconhece que a forma humanoide pode ser útil em aspectos muito específicos. Em sua opinião, a locomoção sobre dois membros pode ser prática em situações como "terreno irregular" ou para subir e descer escadas, ambientes onde as rodas e braços articulados teriam limitações.

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