Quando a nave Orion retornar à Terra, a resistência atmosférica fará com que sua velocidade de reentrada diminua, mas não o suficiente para o último trecho, antes da amerissagem. É neste momento que os paraquedas entram em ação.
Jared Daum, chefe do Sistema de Paraquedas da Orion no Centro Espacial Johnson, em Houston, explica à AFP como será a chegada desta nave, no décimo e último dia da missão Artemis II, que levou quatro astronautas para orbitar a Lua.
Como a Orion retorna à Terra
A nave utiliza a resistência de seu escudo térmico para desacelerar das velocidades de reentrada, que variam de 32 mil a 40 mil quilômetros por hora, até aproximadamente 560 quilômetros por hora, a 7.300 metros de altura. No entanto, Daum ressalta que "isso é tudo o que ela consegue fazer devido à massa do veículo. Neste ponto, precisamos de algo mais: os paraquedas".
O sistema de paraquedas é um dos mais importantes da nave espacial. Ele reduz a velocidade do veículo de aproximadamente 560 quilômetros por hora para cerca de 27 quilômetros por hora, o que permite uma amerissagem suave no Oceano Pacífico.
Mecanismo de operação dos paraquedas
O sistema pode ser controlado pelo software de voo ou manualmente a partir da nave. Ele inclui quatro tipos de paraquedas, totalizando onze, começando pelo da cobertura. Este, fabricado inteiramente em Kevlar e com um diâmetro aproximado de dois metros, remove a cobertura para liberar o restante do equipamento.
Em seguida, dois paraquedas de frenagem, de cerca de sete metros de diâmetro cada um, estabilizam e desaceleram a nave de 560 quilômetros por hora para cerca de 240 quilômetros por hora. Após essa etapa, um cortador pirotécnico libera as fitas dos paraquedas de frenagem, permitindo a abertura de três paraquedas piloto.
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A única função desses paraquedas piloto é acionar a abertura dos três paraquedas principais. Os paraquedas maiores, incluindo os de frenagem e os principais, são feitos de nailon mais leve e geram a resistência aerodinâmica necessária.
Redundância e segurança na missão
Após a amerissagem, grandes cortadores pirotécnicos aderidos ao sistema cortam as fitas dos paraquedas, que esvaziam instantaneamente, aliviando a tensão. A equipe evita que estes grandes paraquedas principais atuem como uma vela ou como uma âncora marinha.
A redundância é crucial nos voos espaciais, conforme Jared Daum: "Não é como se pudesse dirigir seu carro, furar um pneu, parar, consertar e seguir. Com estes paraquedas, você só tem uma oportunidade e eles precisam funcionar."
Por isso, cada um dos quatro tipos de paraquedas conta com redundância. Se um falhar, outros do mesmo tipo compensam, e os astronautas ainda poderão amerissar em segurança. Sem os paraquedas, a tripulação não teria uma forma segura de retornar da missão Artemis II.