A produção de carros elétricos cresce em todo o mundo. O processo de eletrificação do transporte se consolida como uma realidade, principalmente nos países mais ricos. Como o Brasil vem conduzindo esse processo e quais os desafios que se impõem foram tema do painel “The Impact of Vehicle Electrification in Brazil” nesta sexta-feira no South Summit.
O CEO da Aerom Sistemas de Transporte brincou que, em Porto Alegre, o aeromóvel se tornou uma “lenda urbana” e lembrou que o primeiro carro a motor produzido era elétrico.
“Quem bagunçou esse negócio depois, de forma muito competente, foi a Ford, que popularizou o veículo automotor e os carros elétricos ficaram para trás. Então, hoje estamos vendo uma recuperação do veículo elétrico, principalmente particulares. No transporte público, temos soluções elétricas há bastante tempo“, afirmou.
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Defendeu a importância de as cidades serem sustentáveis e destacou a importância de tecnologias mais econômicas e racionais dentro desse processo. Como exemplo, ele citou a adoção das lâmpadas de LED. “Ela consome 80% menos energia para gerar a mesma luz do que a incandescente convencional. E o transporte também tem que ser pensado desta forma.”
O diretor técnico do Detran, Fabio Santos, também participou do painel. Santos detalhou alguns dos principais desafios para a consolidação dos veículos elétricos no país.
“Isso depende muito da infraestrutura que temos, principalmente no Brasil. A infraestrutura de cargas ainda não está preparada para esse aumento exponencial da eletrificação dos veículos. À medida que tivermos estrutura que possibilite viagens mais longas, isso vai incentivar as fontes renováveis”. De acordo com o representante do Detran, o Brasil tem cerca de 10.600 estações de recarga para carros elétricos, o que é considerado pouco. Santos citou ainda que essa estrutura se concentra nas regiões Sul e Sudeste.
Outro fator destacado é a segurança. “Os veículos elétricos têm uma outra experiência do que o veículo a combustão. É bem diferente. E ele traz mais recursos tecnológicos, que concorrem com a atenção de conduzir, sem contar a ausência de ruídos, que é maravilhosa, mas somos acostumados a utilizar outros sentidos na condução dos veículos.”
Santos chamou atenção ainda para a necessidade de se construir um arcabouço regulatório. Ele encerrou o painel fazendo uma convocação à sociedade para que debata os benefícios e os desafios da eletrificação de veículos.