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South Summit e saúde: veja como a IA já atua do diagnóstico à prevenção

Painel mostrou como o uso de dados permite antecipar doenças, apoiar diagnósticos e monitorar a saúde dentro e fora dos hospitais

South Summit discute IA na saúde
South Summit discute IA na saúde Foto : Alina Souza

A inteligência artificial está transformando a medicina e o cuidado em saúde, com o desenvolvimento de tecnologias capazes de organizar e analisar dados para apoiar diagnósticos, antecipar doenças e até acompanhar o bem-estar de trabalhadores.

O tema foi debatido em um painel do South Summit Brazil 2026, que começou nesta quarta-feira em Porto Alegre.

Participaram da discussão o médico e executivo Pedro Benedito Batista Júnior, fundador da Horuss AI, empresa brasileira que estrutura dados de saúde para antecipar eventos críticos; o médico Cristiano Englert, fundador da Connext Health, plataforma que conecta startups, investidores e hospitais; o médico e pesquisador Fabio Ynoe de Moraes, ligado à inovação e educação médica com uso de IA; e o médico Leandro Rubio Faria, fundador e CEO da Starbem, voltada à saúde mental nas empresas.

Da medicina reativa à prevenção

O principal impacto da inteligência artificial na saúde, segundo os especialistas, está na mudança de modelo de cuidado, deixando de agir apenas quando a doença já se manifestou para atuar de forma antecipada.

“Hoje a gente faz o que a gente chama de uma medicina reativa. E o futuro é que a gente faça uma medicina proativa. Então, temos que focar mais na promoção de saúde”, afirmou Fabio Ynoe de Moraes.

Na prática, isso significa usar a tecnologia para identificar riscos antes que o quadro se agrave e orientar o paciente a buscar atendimento de forma mais precoce.

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Dados organizados e diagnóstico mais rápido

O uso de dados foi apontado como base dessa transformação. A proposta é reunir informações que hoje ficam espalhadas, como exames, histórico médico e dados de dispositivos, em um único sistema.

“Eu falo mudando o modelo da sacolinha pro modelo de algoritmo. Sabe a sacolinha? Vem o paciente com exames, papeladas. Você conseguir trazer tudo isso para a IA é perfeito”, disse Batista Júnior.

Com isso, sistemas conseguem cruzar informações e indicar, por exemplo, quem precisa fazer exames de rotina. “É saber quais mulheres com mais de 50 anos estão há mais de dois anos sem fazer mamografia e avisar antes mesmo de elas saberem que precisam”, explicou.

Outro avanço está no uso de tecnologias que acompanham o paciente fora do hospital. Relógios inteligentes e aplicativos permitem monitorar sinais básicos de saúde ao longo do dia. Esses dados ajudam a entender mudanças no corpo e podem indicar problemas ainda no início, o que reforça a proposta de prevenção.

Saúde mental e uso nas empresas

A inteligência artificial também avança no ambiente de trabalho, especialmente no cuidado com a saúde mental. Ferramentas analisam a rotina e o comportamento dos funcionários para identificar sinais de estresse e cansaço.

A partir do acompanhamento da jornada do colaborador, a tecnologia reúne dados que ajudam a detectar indícios de exaustão e orientar ajustes na organização do trabalho.

Apoio ao médico, não substituição

Apesar dos avanços, os especialistas reforçaram a necessidade de uso responsável da inteligência artificial, especialmente em diagnósticos. A avaliação é de que a tecnologia deve atuar como apoio ao trabalho médico, e não como substituta.

Ao mesmo tempo em que apresentaram aplicações práticas, os painelistas demonstraram preocupação com o uso indiscriminado de ferramentas, principalmente chatbots. Segundo eles, a facilidade de acesso pode levar pacientes a tomar decisões sem orientação profissional.

Fabio Ynoe de Moraes citou como exemplo casos de pacientes que inserem exames em plataformas de IA e passam a confiar nas respostas para definir condutas.

“O que mais me assusta é quando o paciente chega no consultório e já jogou todos os exames dele dentro do chat. Eu já tive paciente que esperou seis meses para procurar [o médico] e, quando veio, estava com um linfonodo de quase 8 centímetros, porque a inteligência artificial falou para ele que poderia ser inflamatório”, relatou.