O TikTok anunciou nesta quinta-feira (18) a assinatura de um acordo de joint venture com investidores majoritariamente americanos. A medida visa garantir a continuidade de suas operações nos Estados Unidos, onde a plataforma enfrentava uma ameaça real de proibição devido ao controle exercido pela gigante chinesa ByteDance. A informação foi antecipada por veículos como Bloomberg e Axios, citando um memorando interno da companhia.
Conforme o documento, a nova configuração determina que 45% do controle da empresa conjunta ficará sob o comando de um trio de peso composto pelas empresas americanas Oracle e Silver Lake, além do fundo de investimento MGX, sediado nos Emirados Árabes Unidos. O fundador da Oracle, Larry Ellison, possui uma relação de proximidade com o presidente Donald Trump, o que pode facilitar a aceitação do acordo por parte da Casa Branca.
O diretor-executivo do TikTok, Shou Chew, detalhou no memorando que um terço da joint venture americana permanecerá nas mãos dos atuais investidores da ByteDance, o que inclui diversos fundos dos EUA. Para cumprir as exigências legais de segurança, a própria ByteDance manterá uma participação de quase 20%, que é o limite máximo permitido para uma empresa de origem chinesa segundo a legislação vigente.
Conformidade com a Lei de 2024
A reformulação do TikTok é uma resposta direta à lei aprovada em 2024, durante o governo de Joe Biden. A legislação obrigava a ByteDance a desinvestir das operações da rede social nos Estados Unidos sob o risco de enfrentar um bloqueio total em seu mercado mais rentável. O receio de Washington era que o governo da China pudesse utilizar a plataforma para coletar dados privados de cidadãos americanos ou manipular a opinião pública por meio de seu algoritmo sofisticado.
Embora Donald Trump tenha sido um crítico ferrenho da plataforma em seu primeiro mandato, após retornar à presidência em janeiro de 2025, ele adiou repetidamente a aplicação da lei por meio de decretos. O prazo final para uma solução definitiva estava previsto para o dia 23 de janeiro de 2026, o que torna o acordo anunciado nesta semana um passo fundamental para evitar a saída da rede social do país.
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Independência operacional e segurança cibernética
Shou Chew enfatizou que, com a conclusão do acordo, a joint venture americana passará a operar como uma entidade independente. Esta nova empresa terá autoridade total sobre a proteção de dados dos usuários, segurança do algoritmo, moderação de conteúdo e integridade do software dentro do território dos Estados Unidos. As unidades americanas do TikTok Global serão responsáveis por gerenciar a interoperabilidade global dos produtos e as atividades comerciais, incluindo publicidade e o crescente setor de comércio eletrônico.
A nova estrutura de governança busca sanar as preocupações sobre o acesso de autoridades chinesas aos dados pessoais dos usuários. Embora o TikTok tenha admitido anteriormente que funcionários baseados na China tinham acesso a informações de usuários americanos, a plataforma sempre negou qualquer compartilhamento com o governo de Pequim. Com a transferência do controle para mãos majoritariamente americanas, a empresa espera encerrar o longo impasse geopolítico.