Aplicativo utilizado por dez em cada dez brasileiros, o WhatsApp foi tema de painel nesta quinta no South Summit Brazil. O head da plataforma de mensagens no Brasil, Guilherme Horn, disse que ele é “como oxigênio” para os moradores do país. “Eu nunca vi algo tão forte assim em mais de 14 anos de trabalho. Aqui, o WhatsApp funciona para uso pessoal e negócios, é o primeiro aplicativo que você abre ao acordar e o último que fecha antes de dormir”, disse ele, que falou no palco The Next Big Thing, ao lado da fundadora do podcast The J Curve, Olga Maslikhova. A fala é ousada, mas contextualizada. “No Brasil, ele não é apenas um canal de comunicação, é uma plataforma de negócios. Não concorremos com e-mail e SMS, como em outros locais do mundo, mas com iOS, Android, aplicativos de vendas e diferentes sistemas para usuários”. O WhatsApp, a saber, foi comprado por US$ 19 bilhões pela Meta, que também detém Facebook, Instagram e Threads.
Figma: “Com a IA, vamos descobrir novas formas de trabalhar”
A head de Vendas e Operações da Figma, empresa de design de interfaces de usuário para softwares, para a América Latina, Debora Mioranzza, conversou com a coluna. Ela participou ontem de um painel com o gerente de Design do iFood, Josias Cunha. Segundo ela, a IA não vai matar os softwares. “Acredito que, com a inteligência artificial, a gente começa realmente a descobrir novos meios e novas formas de trabalhar”, comentou Debora. 50% da receita da companhia, fundada em São Francisco, nos EUA, é de fora da nação norte-americana. A empresa estava praticamente sem concorrência, mas há cerca de uma semana, o Google lançou o aplicativo similar Stitch, baseado em IA, o que derrubou as ações da Figma em 12% em dois dias em Wall Street. Aliás, Debora tem um pé no Rio Grande do Sul: a família do seu pai é de Flores da Cunha.
Seguro digital para o agro
O segundo dia do evento trouxe, em um de seus painéis, as soluções da Guarda, primeiro seguro digital do Brasil para proteção da lavoura contra eventos climáticos extremos. Em um contexto de El Niño poderoso se aproximando, o campo sofre mais do que a cidade. Luiz Fernando Guerreiro, co-fundador, esteve presente ao lado do gerente financeiro da SLC Agrícola, Alexandre Barreto, e do diretor de Negócios Digitais da Randoncorp, Mateus de Abreu. A chamada insurtech, que permite precificação instantânea e indenizações automáticas orientadas por dados de satélite, levantou R$ 4,5 milhões no final de 2025 em rodada liderada pela Randon Ventures (RV). Guerreiro é também cofundador da Petlove. O problema é urgente: entre 1995 e 2023, eventos climáticos extremos geraram perdas de mais de R$ 330 bilhões em perdas ao agronegócio.
Curtas
* Falei aqui ontem sobre o Distrito da Inovação, e na quinta a Prefeitura de Porto Alegre lançou o projeto no South Summit, em parceria com o Instituto Caldeira. Entre as ideias, dar vida a áreas historicamente degradadas, como a avenida Portuária, no acesso às avenidas Castelo Branco e Voluntários da Pátria, onde hoje o abandono é visível. A Voluntários em si, abaixo do viaduto da Sertório, onde sempre alaga com qualquer chuva, também vai ganhar revitalização. E vem aí o novo Parque do Porto, perto da ponte do Guaíba, em área cedida pelo governo do Estado.
* A propósito: quem passar pelo estande da Administração no South Summit, no espaço Marketplace, poderá conferir um tour virtual pelo Centro Histórico, por meio de óculos de realidade virtual, em parceria com a startup Smart Composer VR. O Mercado Público, por exemplo, pode ser visualizado por dentro na visão de rua, além de navegar em 360 graus. O objetivo da Prefeitura é cobrir todo o Centro Histórico.
* Hoje é a final Startup Competition, com dez delas chegando na final, duas em cada uma das cinco áreas temáticas. As vencedoras serão conhecidas durante a cerimônia de encerramento do South Summit, às 16h, na Arena Stage.