Mais de 31 mil pessoas, incluindo vários parlamentares, assinaram uma petição que pede ao primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que promova uma investigação pública sobre o suposto assédio da imprensa contra o acadêmico Jason Arday, que morreu na sexta-feira, informaram os organizadores neste domingo (16).
A petição foi lançada pelo grupo ativista Good Law Project depois que Arday, nomeado há três anos como o professor negro mais jovem da história da Universidade de Cambridge, foi encontrado morto na sexta-feira, em uma propriedade em Battersea, no sul de Londres, na tarde da última sexta-feira (14). A causa ainda não foi informada.
O Good Law Project apoiava Arday desde que ele renunciou, no início deste mês, à universidade e ao cargo de professor associado no Jesus College, depois que as duas instituições iniciaram investigações sobre acusações de plágio e de invenção ou exagero de aspectos de sua história pessoal.
Acusações de assédio e racismo
"Não pode haver nenhuma dúvida de que a trágica morte do doutor Arday foi resultado direto, previsível e previsto do assédio da imprensa", afirmou o Good Law Project em seu site.
O grupo acrescentou que "não pode haver nenhuma dúvida de que o racismo estava no centro desta história". Familiares e amigos de Arday denunciaram "uma campanha constante de abusos" desde sua nomeação, em 2023.
Repercussão e controvérsia
As acusações contra Arday, de 41 anos, tiveram ampla repercussão na imprensa britânica depois que outro acadêmico, Nathan Cofnas, que se autodenomina "realista racial" e foi demitido de seu cargo em Cambridge em 2024, afirmou em julho ter encontrado vários casos de plágio na obra do professor.
Veículos de imprensa britânicos e comentaristas de direita exploraram a controvérsia, alegando que Arday, que contestou as acusações, havia se beneficiado injustamente de políticas de diversidade, igualdade e inclusão (DEI).
Em uma carta publicada quando renunciou, em 5 de agosto, Arday afirmou que a decisão era "a única maneira" de encerrar um "período difícil", mas que não deveria "ser confundida com uma aceitação das narrativas" que circularam sobre ele.