Notícias

Ataque em defesa do Megaupload é o maior do Anonymous

Grupo de hackers invadiu sites do FBI, ministério da Justiça dos EUA e da gravadora Universal

Kim Schmitz (ou Kim Dotcom) é um dos líderes presos
Kim Schmitz (ou Kim Dotcom) é um dos líderes presos Foto : AFP PHOTO / TV3 / CP
Os hackers do grupo Anonymous afirmaram que o bloqueio de sites americanos, entre eles o do FBI e do ministério da Justiça dos Estados Unidos, em represália ao fechamento do Megaupload.com, é o seu "mais vasto" ataque até hoje. O grupo, que se apresenta como defensor da liberdade na internet, já havia anunciado o lançamento de ataques contra os sites do ministério da Justiça americano, da Associação de Gravadoras Americanas (RIAA) e do FBI.

As páginas permaneceram fora do ar na tarde de quinta-feira e durante parte da noite. Outro site atacado, o da gravadora Universal Music, continua sem funcionar na tarde desta sexta-feira. O Anonymous afirmou em um blog que o ataque também tinha como alvo o site da Casa Branca e da Hadopi, autoridade francesa encarregada da luta contra o download ilegal.

O grupo informou em uma de suas contas no Twitter que mais de cinco mil pessoas participaram da ação.Geralmente, os integrantes do Anonymous lançam ataques para derrubar os serviços, que consistem em perturbar o funcionamento de um site mediante a saturação de conexões. "O dia de ontem foi épico", disse o Anonymous.

Nesta sexta-feira, o líder da maioria no Senado dos Estados Unidos, o republicano Harry Reid, disse que adiou a votação, inicialmente marcada para a semana que vem, da Lei de Proteção à Propriedade Intelectual (Sopa, na sigla em inglês). O projeto tem como objetivo reprimir a pirataria na internet e motivou uma onda de protestos online encabeçados pela Wikipedia e pelo Google.


Os hackers já estiveram na origem dos ataques contra os sites de cartões de crédito Visa e MasterCard, e da empresa de pagamento PayPal, em resposta à decisão de bloquear as doações para o WikiLeaks. Também já afetou os sites do ministério da Defesa sírio e da Igreja da Cientologia.

A justiça americana ordenou na quinta-feira o fechamento da plataforma de download Megaupload por acusações de violação dos direitos autorais. O anúncio do fechamento do Megaupload.com coincide com o debate polêmico nos Estados Unidos sobre o projeto de lei antipirataria, que levou a Wikipedia a interromper o acesso aos seus serviços em inglês e o Google a colocar uma tarja preta sob seu logotipo.

Mas "o ataque contra o Megaupload prova que a polícia não precisa de leis para atacar a internet", considerou o Anonymous.

Os líderes do site, o alemão Sven Echternach, 39 anos, o eslovaco Julius Bencko, 35, e o estoniano Andrus Nomm, 32, estão foragidos da polícia. Quatro responsáveis pelo site, com sede em Hong Kong, entre eles seu fundador, Kim Dotcom, 37 anos, foram detidos em Auckland pelas autoridades neozelandesas.

Os sete são acusados de terem obtido 175 milhões de dólares em lucros e de gerarem mais de "500 milhões de dólares de perdas para os donos de direitos", ao oferecerem em suas páginas filmes, séries e outros produtos pirateados, segundo as autoridades americanas. Megaupload Ltd e outra empresa vinculada ao caso, Vestor Ltd, foram indiciadas pela Câmara de acusações do estado da Virgínia por violação de direitos autorais e também por tentativas de extorsão e lavagem de dinheiro, crimes passíveis de 20 anos de prisão. A pena máxima por violação de direitos autorais é de cinco anos de prisão.

“Tsunamis” que inundam servidores


Os ataques, conhecidos pela sigla DDoS (do inglês Distributed Denial of Service), são como "tsunamis" que inundam um servidor para impedir seu funcionamento durante um tempo. A ofensiva consiste em bloquear ou ao menos sobrecarregar um site, acessando-o a partir de um grande número de computadores simultaneamente, alguns deles previamente hackeados. Esse ataque simultâneo gera um grande fluxo de informação e o servidor, "que não pode responder todo mundo, é completamente bloqueado", explicou Guillaume Delomel, responsável técnico da empresa especializada Corero Network Security.

Esse esquema foi o utilizado em 2011 para atacar os sites da Paypal, Visa e Mastercard depois que essas empresas bloquearam os recursos financeiros do portal Wikileaks. "É o equivalente a um protesto", disse o porta-voz da organização civil francesa La Qadrature du net, Jérémie Zimmermann. Esse tipo de ataque coordenado "não destroi nada", afirmou Zimmermann, já que o servidor atacado volta a funcionar depois de um tempo.

As consequências podem ser "uma perda de faturamento" para um site comercial ou um "atentado contra a imagem" para as demais páginas. Segundo Delomel, esse tipo de ataque é cada vez mais frequente, mais sofisticado e mais difícil de detectar, fazendo com que seja necessário "analisar o comportamento dos diferentes clientes" para diferenciar "o tráfego bom do mal-intencionado" e conseguir bloquear os computadores de hackers.

No caso de um ataque emitido a partir de um computador de um usuário que não tem conhecimento do que está ocorrendo, fica mais difícil bloquear a máquina, porque se deve permitir ao usuário navegar pela internet, afirmou Delomel. Os administradores dos servidores podem, por exemplo, não dar resposta a alguns requerimentos quando "houver mais de uma petição por segundo procedente da mesma pessoa", afirmou Zimmermann.



Bookmark and Share