Após 17 dias de suspensão, as aulas na rede municipal em Rio Grande serão retomadas nesta segunda-feira. Conforme a Secretária Municipal de Educação, Denise Lopes, os diretores e professores estão orientados fazer uma ambientação cuidando da parte emocional da comunidade escolar (professores, estudantes e pais). "Essas pessoas vêm com traumas diante da enchente que atingiu praticamente todo o Estado", lamenta.
Com o depoimento dos estudantes será desenvolvido os temas a serem estudados. "É preciso falar de Meio Ambiente, do aprendizado que se traz de tudo isto, e dos momentos de dor", relata.
A Rede Municipal de Ensino de Rio Grande atende em torno de 22 mil estudantes. Com a pausa nas atividades foi preciso alterar o calendário escolar. "Ele foi decidido entre Secretaria de Educação, diretores, Conselho Municipal de Educação e Sindicato dos Trabalhadores. Refizemos o calendário utilizando sábados letivos e uma pequena parcela de trabalhos remotos", destaca.
Escolas com situações especiais
Apesar do recuo na Lagoa dos Patos, alguns colégios terão que realizar adaptações em suas atividades para poder retornar na segunda-feira. Um dos casos é o das quatro escolas de ensino fundamental localizadas na Ilha dos Marinheiros – Renascer, Apolinário Porto Alegre, Sylvia Centeno Xavier e Coração de Maria. Os alunos das quatro instituições serão atendidos na primeira semana com trabalhos remotos, pela falta de acesso terrestre a ilha. "Os trabalhos físicos serão entregues posteriormente. Mesmo sem acesso terrestre, os professores irão de bote, os estudantes é que ficam impedidos de chegar na escola, por isso decidimos utilizar a prerrogativa do Conselho Nacional de Educação que permite que municípios em calamidade pública posam recorrer ao ensino presencial e a distância", justifica.
Denise afirma que as águas estão baixando, mas como há previsão de chuva para as próximas segunda e quarta-feira não é possível garantir que a água não volte a subir. Outros casos especiais são os das escolas que precisam ser deslocadas para outros espaços. A Escola de Educação Infantil (EMEI) Navegantes e a Escola de Ensino Fundamental (EMEF) Miguel Couto estão registrando alagamentos. "Na Miguel Couto a água sobe até o portão. Para que possam ter aula presencial, elas serão deslocadas para o prédio do Asilo", relata.
Um dos locais mais afetados pela cheia em Rio Grande é a Ilha da Torotama, onde fica a Escola Municipal de Ensino Fundamental Cristóvão Pereira de Abreu, que foi muito atingida. "Tinha em torno de mil pessoas na ilha, agora tem sete que não quiseram sair. Por tudo que ocorreu deslocamos a escola para a EMEI da Quinta. E fica o aprendizado para todos", conclui.