Chuvas no RS

Barcos trazem ao Gasometro moradores das Ilhas

Operação reúne Defesa Civil, Bombeiros e Forças Armadas na ajuda às vítimas da enchente

Resgatados das Ilhas trouxeram junto seus animais de estimação; Rendal e Luli ficaram em um pallet sobre a água até chegada do barco
Resgatados das Ilhas trouxeram junto seus animais de estimação; Rendal e Luli ficaram em um pallet sobre a água até chegada do barco Foto : Simone Schmidt / Especial / CP

Só aumenta a quantidade de pessoas desembarcando às margens do Guaíba, no Gasometro. Barcos vão atracando no mesmo local onde são feitos os passeios, e a ajuda vem de todos os lados. Membros de clubes e desportistas se tornam barqueiros, além de pessoas físicas proprietárias de embarcações que vão se juntando ao grande grupo ali concentrado, formado por integrantes da Defesa Civil, dos Bombeiros, da Guarda Municipal e das Forças Armadas.

Famílias da região das Ilhas chegam com poucos pertences nas sacolas, descalças ou com sandálias de borracha, levando bebês no colo e conduzindo os cães nas guias. Dali, seguem para abrigos ou casas de familiares.

Entre os desalojados que vão chegando, há quem arrisque um cálculo de 50 pessoas em uma viagem. Já os membros da Defesa Civil preferem deixar a soma para o final do dia, quando é feita a divulgação de todos os dados relacionados às chuvas.

Willian Moyses Toreli era um dos resgatados. O jovem de 20 anos que trabalha como operador de loja em um supermercado mora na Ilha da Pintada e já convive com as enchentes, mas diz que essa em especial é diferente de todas que já enfrentou. "Acordei boiando na cama", recorda, referindo-se à velocidade com que a água subiu. Ele conta que já era esperado o alagamento na região, mas não tão rápido. Tanto que acompanhou a namorada e a sogra até a parada do ônibus que levaria as duas a Canoas, na residência de uma tia, e ficou ainda na casa delas junto com o sogro para que se deslocassem no dia seguinte, porque não contavam que a água invadiria todos os cômodos tão abruptamente. "Estava na altura do peito", descreve Willian, acrescentando que em sua casa, perto dali, a água chegou ao telhado. "Eu tinha acabado de mobiliar, porque em outra enchente já tinha perdido tudo", recorda ele, enquanto espera o transporte para ir ao encontro da namorada em Canoas.

Willian veio da Ilha da Pintada | Foto: Simone Schmidt / Especial / CP

Outro morador das Ilhas, Breno da Rosa, precisou se valer do improviso. Para chegar até a praça central na Pintada, onde buscaria ajuda do resgate para sair da região, o jovem de 16 anos, estudante do ensino médio, se valeu de um pallet sobre galões de água. Foi a forma que conseguiu para poder levar com ele Luli e Rendal, uma cachorrinha e um cão, ambos de pequeno porte, com 6 anos de idade. A prática esportiva de remo ajudou nessa tarefa. À espera de um carro de aplicativo, ele não faz planos por enquanto: "Vou para a casa de amigos", resume.