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Lagoa dos Patos e Canal São Gonçalo devem recuperar cotas normais até julho, apontam especialistas da Ufpel

Prefeitura encerrou o trabalho na sala de situação por não prever risco de novos ‘momentos críticos’

O trabalho segue intenso no Laranjal para escoar a água da Lagoa dos Patos
O trabalho segue intenso no Laranjal para escoar a água da Lagoa dos Patos Foto : Matheus Cabistany/ SANEP/CP

Com a redução significativa nos níveis tanto na Lagoa dos Patos, como no Canal São Gonçalo, a Prefeitura de Pelotas encerrou os trabalhos realizados na Sala de Situação, instalada no 9º Batalhão de Infantaria Motorizada. “Encerramos a última reunião na sala de situação, o que não que o processo de crise climática tenha terminado. Temos níveis altos tanto na Lagoa como no Canal São Gonçalo, mas pela análise técnica que percebemos não há mais risco de um novo momento crítico”, ponderou a prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas.

Conforme informações de especialistas da modelagem matemática da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), a tendência é que as águas vão baixando. "Com isto decidimos encerrar o trabalho, que foi de união entre representantes de secretarias, forças de segurança, o Exército que abriu as portas, a Defesa Civil do Estado e do Município, o pessoal da universidade, o observatório de segurança pública, o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e o IFSUL", enumerou. Os especialistas preveem que entre cinco há dez dias haja uma baixa significativa nos níveis dos mananciais. "Em duas semanas o recuo deve ser maior ainda, o que provavelmente inclua a Colônia Z3 e a volta ao nível normal deve ocorrer no final do mês de junho e no máximo início de julho", projeta. Com isto, a prefeita anunciou o novo mapa de risco, deixando em vermelho apenas aquelas áreas em que as pessoas não conseguiram voltar para casa, onde a água está a partir de 30, 40 centímetros de altura. Que são áreas do Valverde, das Doquinhas passando e dique e na Colônia Z3. As áreas adjacentes a estes locais ficaram em laranja. Paula acredita que este provavelmente seja o último mapa de risco. "Estabelecemos que deixaremos de utilizar o mapa quando o canal chegar em 2,4m (no início da tarde estava em 2,65m). É um índice bastante alto, acima do nível normal, mas é o índice de setembro, e nós lidamos muito bem. A partir disso poderemos tirar as contenções. Vamos seguir o princípio da precaução", observa.

Auxílio Reconstrução

Em Pelotas, após a Prefeitura analisar os dados por georreferenciamento, algumas informações terão que ser confirmadas. O município organizou os dados e cadastrou até a tarde desta quinta-feira 3728 moradores do Laranjal e da Colônia Z3. A Prefeitura deve até esta sexta-feira cadastrar moradores das Doquinhas e da Vila Farroupilha que também tiveram suas casas alagadas. Os cadastros que apresentaram problemas em CPF e outras informações serão contatados por WhatsApp ou pela Ouvidoria da Prefeitura.

Trabalho no Laranjal e na Colônia Z3

Um dos locais mais castigados pelas cheias foi o Laranjal. Atualmente, o Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (SANEP) está trabalhando com cinco bombas operando na casa de bombas do Pontal da Barra. Além disso, há tratores equipados com bombas pluviais na orla da Praia. Para esta quinta-feira, o objetivo é entrar com um desses tratores na rua São José do Norte, para tentar secar mais uma bacia da região.

Na Colônia Z3, a Prefeitura está em tratativas com o Exército para a colocação de uma nova ponte. Desde esta quarta-feira, o trabalho é de limpeza na estrada que liga o Barro Duro a Z3, tirando areia, para poder facilitar a passagem de veículos mais pesados. "Recebemos uma ponte do Exército. O nosso vão da ponte aumentou, as águas derrubaram a cabeceira e ficou com um vão maior que tinha. O Exército mandou uma ponte que fica pequena neste vão. Ou seja, vamos ter que colocar material para reestabelecer cabeceira e diminuir o vão", relata. Para colocar a ponte que pode ser cedida pelo Exército é necessário um vão de no máximo 11 metros, o vão está em quase 17m. Com isto, a Prefeitura tem que colocar material para diminuir isto, mas para isto é necessário terminar a limpeza da areia na estrada. "Isto é necessário para que o material necessário consiga passar e depois fazer. Vamos precisar de dois, três dias pela frente para podermos colocar a ponte. O pessoal do exército está fazendo contato com o comando em Cachoeira do Sul para ver se é possível, deixarem aqui a estrutura, esperarem e voltarem para fazer a montagem", confirma. Enquanto isto não ocorre, o único contato por terra com a Colônia é a estrada do Posto Branco, que não está em boas condições.