Álcool é produzido para serviços de saúde em Pelotas
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Álcool é produzido para serviços de saúde em Pelotas

Parceria entre entidades resultou na produção de 200 quilos do item em gel até o momento

Por
Angélica Silveira

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Um comitê foi criado em Pelotas com o objetivo de envazar álcool líquido e produzir o produto em gel a fim de distribuir principalmente para hospitais e Unidades Básicas de Saúde da cidade e região. A inicitiva é reultado de parceria entre o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul Rio-Grandense (IFSul), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Universidade Católica (UCPel), a Secretaria Estadual de Saúde e uma fábrica de refrigerantes. Em poucos dias, já foram produzidos mais de 200 quilos de álcool em gel. O procedimento foi feito em um tanque com capacidade para 50 litros, mas o objetivo é colocar em funcionamento outro, de 200 litros, para ampliar a produção. A UFPel ainda possui um tanque de 500 litros, que pode ser usado futuramente. 

O pró-reitor de Pesquisa, Graduação e Inovação da UFPel, Flávio Demarco, conta que a produção começou em três frentes, nos laboratórios de cada uma das universidades. “Temos entre 15 a 20 professores e técnicos administrativos trabalhando nisso. Nesta semana, chamaremos dez alunos voluntários de 500 inscritos. Não utilizaremos mais pessoas para evitar aglomerações”, destaca. A fábrica de refrigerante ficou responsável por engarrafar o produto. Demarco diz que a equipe recebeu 41 mil litros de álcool 80% da Secretaria Estadual de Saúde. Destes, 5 mil vão para a Furg fazer álcool glicerinado. O restante será engarrafado na fábrica. “Parte do material será convertido em álcool 70%, engarrafado e distribuído. Foram produzidos nesta semana 500 litros de álcool em gel diários nos laboratórios das três universidades com os estoques de insumos que as instituições tinham."

A grande preocupação é que faltem insumos. O carbopol, um dos ingredientes essenciais ao álcool em gel, está com estoque baixo na UFPel e em falta no país. Com isso, os professores estão fazendo testes para utilizar outros insumos na produção do item.  Outra possibilidade é produzir álcool glicerinado, formulação antisséptica também permitida pela Organização Mundial de Saúde, e já estão sendo adquiridos insumos. Além de fazer orçamentos para a compra de insumos, as instituições de ensino recolheram os materiais disponíveis nas unidades acadêmicas para realizar a produção nos laboratórios de graduação e pós graduação.

As três universidades também se empenham na produção de máscaras faciais para a proteção dos trabalhadores em saúde durante os atendimentos. “A ideia é produzir mil máscaras faciais de proteção para o rosto todo. Uma parte será confeccionada por impressora 3D e outra por técnica artesanal. Estamos adquirindo material para ampliar a produção”, destaca o pró-reitor. O protótipo de máscaras foi aprovado pela Secretaria Municipal de Saúde. Para a confecção, serão utilizadas inicialmente três impressoras 3D com capacidade de produzir 30 máscaras por dia. Ele garante que o trabalho é permanente enquanto houver a pandemia. “O auge no Brasil ainda não ocorreu e, se em países desenvolvidos faltam insumos, imagina por aqui. Enfrentamos a falta de material para álcool em gel e então fizemos testes com mecanismos alternativos para a produção. A grande resposta ao problema é por meio da ciência”, observa Demarco.