49 ONGs de atendimento a crianças e adolescentes de Porto Alegre foram afetadas pelas enchentes

49 ONGs de atendimento a crianças e adolescentes de Porto Alegre foram afetadas pelas enchentes

Cerca de 10 mil crianças atendidas sofreram com interrupção temporária dos serviços

Correio do Povo

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O Terceiro Setor também foi afetado pelas grandes enchentes que impactaram e seguem impactando diversas áreas do estado do Rio Grande do Sul desde o final de abril. As Organizações da Sociedade Civil (OSCs) que atuam com crianças e adolescentes foram duramente afetadas, comprometendo o atendimento e o suporte essencial oferecido a essa população vulnerável.

Segundo dados do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Porto Alegre, 49 ONGs da capital, que atendem a cerca de 10 mil crianças, sofreram danos devido às inundações. Entre as principais dificuldades enfrentadas estão o inchaço de demandas vindas de outras regiões, perda de materiais, danos em infraestruturas e a interrupção temporária dos serviços de atendimento.

Frente a essa crise, o CMDCA está mobilizando esforços para auxiliar as OSCs afetadas. Campanhas de arrecadação de fundos e materiais, além de parcerias com o setor público e privado, estão sendo promovidas para restaurar a capacidade de atendimento dessas organizações.

"Acredito que as pessoas estão ajudando muito Porto Alegre e todo o estado, mas quem ainda puder contribuir, destinando seu imposto de renda, pode realizar a sua destinação até agosto. Neste momento, é fundamental que a sociedade se una para apoiar as OSCs. O trabalho dessas organizações é essencial para garantir um futuro melhor para nossas crianças e adolescentes", afirma a presidente do CMDCA, Carolina Aguirre.

Ações de assistência estão sendo realizadas pela Parceiros Voluntários

A ONG Parceiros Voluntários (PV), reconhecida nacionalmente por seu trabalho em fortalecimento do terceiro setor, tem se destacado nas ações de amparo e reconstrução. Até o momento, a organização já arrecadou mais de R$ 7 milhões, que estão sendo revertidos em diversas iniciativas, entre elas, o suporte a OSCs que se dedicam à garantia dos direitos e cuidados com crianças e adolescentes e às famílias atendidas por essas organizações.

Para isso, a PV está conduzindo um mapeamento das necessidades das OSCs que atendem diretamente ao público, incluindo aquelas que estão servindo como abrigos temporários. Além disso, a organização também tem atuado em articulação com os Conselhos Municipais da Criança e do Adolescente e do Idoso de Porto Alegre, coordenando esforços para atender as demandas específicas dessas populações. Essa articulação tem como objetivo garantir que todos recebam assistência contínua e adequada durante e após o período de emergência.

“As OSCs desempenham um papel crucial na promoção e defesa dos direitos humanos. Estas organizações fornecem uma gama de serviços essenciais, que incluem apoio educacional, psicológico, social e recreativo. Em muitas comunidades do estado, são a principal fonte de assistência e proteção para crianças e adolescentes, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade”, explica Priscila Ballestrin, representante da PV no Conselho Municipal da Criança e do Adolescente de Porto Alegre.

Selma Santos de Souza, dirigente do IEI Mãezinha do Céu, que atende crianças carentes da capital, conta que “ainda não estamos conseguindo atender nossos alunos, devido aos estragos causados pelas enchentes. No momento, as professoras estão indo até os abrigos e visitando as crianças, pois entendemos a importância da escola na vida dessas famílias, no processo de desenvolvimento, segurança, alimentação e o brincar”. Com ajuda de doações e da Parceiros Voluntários, a instituição já realizou o processo de limpeza do espaço, mas ainda necessita de mão de obra especializada para a reconstrução.


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