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6 dicas de como se preparar para adoção de pets salvos da enchente e facilitar a adaptação deles aos novos lares

Mais de 15 mil pets ainda aguardam por lar temporário ou adoção responsável no Rio Grande do Sul

Mais de 15 mil pets ainda aguardam por lar temporário ou adoção responsável no Rio Grande do Sul
Mais de 15 mil pets ainda aguardam por lar temporário ou adoção responsável no Rio Grande do Sul Foto : Pedro Piegas

As enchentes que castigaram a maioria das cidades do Rio Grande do Sul, em maio, foram marcadas por imagens de famílias e animais lutando contra a água para serem resgatados. Muitos dos que perderam suas casas necessitaram ir para abrigos de acolhimento sem terem perspectivas de retorno, incluindo pets. O Estado estima que, por causa da tragédia, cerca de 20 mil animais tenham sido resgatados e abrigados, sendo que mais de 15 mil ainda aguardam por lar temporário ou adoção responsável. Porém antes de receber um desses cães e gatos em casa é importante entender o comprometimento necessário.

A veterinária Mariana Caetano Teixeira, professora do curso de Medicina Veterinária da UniRitter, aponta que além das demandas normais da adaptação de um pet recém chegado, os traumas vividos na enchente podem exigir mais paciência e atenção do tutor. “A pessoa que se disponibiliza a adotar ou servir de lar temporário para animais de estimação que foram resgatados das enchentes deve estar disposta a passar pelo processo de adaptação com paciência, respeitando o tempo e o espaço de cada pet”, explica a docente.

Mesmo com a decisão tomada e a chegada do bichinho de estimação em casa, os sinais de trauma podem se apresentar de diferentes maneiras no processo de adaptação. “A gente nota dois comportamentos extremos entre os pets resgatados: uns são muito reativos, não gostam de toque ou interação com animais, e outros são extremamente carentes, demandando uma atenção humana constante”, comenta a médica veterinária, que esteve atuando na linha de frente de cuidados em abrigos para animais desde o início da crise.

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A profissional explica que, independentemente da forma que o bichinho de estimação dá sinais de ter vivido um trauma, a maioria tem demonstrado estar passando por um período de insegurança, alguns estão com desconfiança de perderem o novo lar, por exemplo, enquanto outros têm medo de voltarem a sentir fome. “Por isso, é necessário que os tutores tenham paciência para guiarem essa adaptação, passando segurança ao pet. É importante entender que, por não conhecermos o histórico desse animal, é difícil saber o que é um comportamento natural ou uma reação atípica causada pela experiência vivida na enchente”, comenta a profissional, que indica uma avaliação clínica para essa análise.

Nesse aspecto, Mariana lembra que os abrigos de acolhimento de animais têm protocolos diferentes, sendo que nem todos tiveram médicos veterinários presentes. Por conta disso, é fundamental levar o pet para uma consulta veterinária completa para averiguar seu quadro de saúde. “A partir de exames e avaliação profissional, podemos verificar a necessidade de vacinas ou medicações, excluir doenças de base e identificar o que pode ser comportamental”, acrescenta a professora.

Atualmente, profissionais podem indicar uso de feromônios que colaboram para o relaxamento animal, objetos comedores adaptados para desacelerar a hora da alimentação, itens roedores e brinquedos para liberar energia ou até fitoterápicos mais específicos.

Outro quesito importante para garantir que o animal acolhido tenha uma boa adaptação é estabelecer uma rotina que passe segurança. “Uma boa dica para facilitar o processo de acolhimento é entender a rotina do abrigo de que o animal está saindo para que seja possível manter as atividades que têm sido feitas até ele se acostumar com o novo local e se sentir seguro”, explica a docente.

Assim, com paciência, atenção à saúde, bons hábitos e um espaço livre respeitado é possível realizar um acolhimento que garanta a adaptação do animal resgatado ao novo lar.

“É preciso observar as reações a cada situação, buscando aumentar o conforto do acolhido, porque nesse momento esses animais precisam vivenciar experiências de segurança novamente”, conclui Mariana.

Seis dicas de adaptação ao novo lar

Para facilitar as primeiras fases no novo lar, a professora de Medicina Veterinária da UniRitter dá dicas que podem tornar a adaptação do animal resgatado mais tranquila para ele e para os adotantes.

  • Observar reações e gatilhos: pode levar um tempo até que o cão ou gato seja exposto a todas as situações que provocam reações de desconforto.
  • Prestar atenção nas alterações bruscas de comportamento: uma postura tensa e territorialista pode se tornar uma agressão.
  • Introduzir outros pets adequadamente: em caso de gatos, há um passo a passo de restrição de ambientes durante o processo de apresentação dos animais. Já os cães podem reagir melhor se sentirem o cheiro do novo membro da família antes de conhecê-lo - como um pano do bichinho no abrigo e vice-versa.
  • Recompensar comportamentos positivos: para amenizar a ansiedade de separação que o animal pode sentir ao ficar sozinho na nova casa, o tutor pode dar um petisco antes de sair e quando retornar.
  • Evitar tratamento agressivo: é normal que inicialmente seja complicado acertar o local de fazer as necessidades fisiológicas, porém não é recomendado repreender o animal em adaptação, é preferível usar o mecanismo de recompensa para cada acerto.
  • Buscar ajuda profissional: em caso de comportamento agressivo ou ansioso persistente, recorra à medicina veterinária comportamental além da análise clínica.