Cidades

92% das comunidades guarani no RS têm problemas de moradia, aponta levantamento da Emater/RS-Ascar

Documento que apresenta diagnóstico da situação destes povos no Estado foi apresentado na Assembleia Legislativa nesta terça

O Diagnóstico das Comunidades Guarani no Rio Grande do Sul, elaborado pela Emater/RS-Ascar, tem sua versão impressa lançada hoje na Assembleia Legislativa
O Diagnóstico das Comunidades Guarani no Rio Grande do Sul, elaborado pela Emater/RS-Ascar, tem sua versão impressa lançada hoje na Assembleia Legislativa Foto : Camila Cunha

A Emater/RS-Ascar apresentou no Salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa, em Porto Alegre, nesta terça-feira, a versão impressa do documento Diagnóstico das Comunidades Guarani no Rio Grande do Sul, com informações a respeito das condições de vida destes povos no território gaúcho. O levantamento, realizado entre agosto e dezembro de 2024, entrevistou lideranças guarani de 62 aldeias em 36 municípios. A versão digital está disponível neste link, de maneira gratuita.

Ele foi realizado em parceria com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), com apoio da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH) da AL. A apresentação foi acompanhada por autoridades indígenas, além do presidente da CCDH, o deputado Adão Pretto Filho. Conforme o documento, 92% das comunidades têm problemas em suas moradias, sendo 57% em condição “péssima”.

Já quase 42% não têm nascentes em seus territórios e 37% apresentam vulnerabilidade no acesso à água, dependendo de caminhão-pipa ou captação em propriedades vizinhas. Mais de 53% enfrentam problemas de energia elétrica, como interrupções frequentes e baixa voltagem, havendo o serviço em mais de 80% das aldeias entrevistadas.

Quase a totalidade, ou mais de 98%, tem programas sociais como principal fonte de renda, e o artesanato é a segunda maior, com 93,5%. Mais de 96,7% mantêm e reproduzem o artesanato, mas 90,3% relataram ter ausência ou limitação de sementes, e 83,8% das comunidades não têm grupo formalizado. No segmento educacional, 70,9% possuem educação escolas indígenas, no entanto, 75% destes colégios funcionam em espaços não construídos para esta finalidade.

A condição da estrutura física das escolas é considerada "precária" em 45,4% dos casos. Quase 71% das comunidades não têm estrutura física de atendimento em saúde construída para esta finalidade, enquanto 74,1% dos entrevistados disseram considerar a qualidade do atendimento da área “regular” ou “ruim”. A falta ou limitação de acesso a plantas para fins medicinais foi dito por 82,2% dos representantes entrevistados.

A extensionista, antropóloga e coordenadora estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) da Emater/RS-Ascar, Mariana de Andrade Soares, foi a responsável por apresentar os números e salientou que o grande objetivo do levantamento foi trazer luz à realidade dos povos guarani para o fomento de políticas públicas que levem qualidade de vida a estas comunidades, dentro de suas especificidades. “Este documento que se materializa é a renovação de uma política em prol destas pessoas, na garantia e defesa de seus direitos. O grande desafio das instituições e da sociedade é atuar junto com estes povos indígenas, realmente dando visibilidade a esta questão”, comentou ela.

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