O prédio de mais de 130 anos da Estação Férrea, no centro de Rio Pardo, é afetado pelas ações do tempo e de vandalismo após a desocupação em 2016. O complexo, na Praça da Ponte, virou ponto de usuários de drogas. Nas últimas semanas houve furto de madeira das aberturas centenárias, reforçando a preocupação da comunidade em relação ao futuro da construção integrante do patrimônio histórico do município e referência de diversas fases econômicas da cidade.
A última recuperação do prédio foi em 2005. Após a assinatura de termo de compromisso de ajustamento de conduta para execução do trabalho no Ministério Público estadual, a América Latina Logística (ALL), concessionária da rede ferroviária, investiu R$ 72,8 mil, com contrapartida de R$ 3,2 mil da prefeitura. Depois, as instalações abrigaram a Secretaria de Turismo e Cultura, até 2014, quando o Centro de Referência em Assistência Social da Ponte passou a realizar oficinas com usuários.
A prefeitura, em nota oficial, reiterou que não tem, desde 2016, a cedência do prédio, que é de propriedade da União, sob administração do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O secretário de Administração, Paulo Gilberto Granada, informou que o governo adota medidas de contenção para estancar os danos ao imóvel, mesmo sem ser de sua competência. Ele disse que, em setembro do ano passado, o prefeito Rafael Reis Barros e assessores se reuniram com a Superintendência do Patrimônio da União no Estado, sob coordenação do MP, quando alertaram sobre a necessidade de se promoverem intervenções imediatas.
O Ministério Público Federal instaurou inquérito civil em 2016 com o objetivo de assegurar a preservação do patrimônio histórico e cultural da Estação Férrea, tendo em vista que o bem é valorizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), inscrito na lista do Patrimônio Cultural Ferroviário desde 2007. Em maio deste ano, o MPF solicitou ao Iphan/RS informações como a conclusão da análise do contrato de cessão de uso e se já houve o recebimento formal da estação para fins de sua administração. Também questionou quais medidas foram adotadas pelo Instituto, com o encaminhamento do cronograma de execução para restauro e conservação. O prazo para resposta ao ofício do MPF expira em 2 de julho.
A superintendência do Dnit no Estado informou que os técnicos da área ferroviária de Brasília estudam a transferência do patrimônio, por meio de novo termo de cessão de imóveis para o município. A estação foi inaugurada em 1883 pela E.F. Porto Alegre-Uruguaiana. A estrutura foi desativada em 1996, quando os trens de passageiros pararam de funcionar no Estado. Em torno do prédio surgiu no passado o comércio, e muitas famílias aproveitavam o movimento para vender produtos aos viajantes, como os famosos sonhos, que até hoje são referência da culinária local.
Abandono ameaça patrimônio histórico de Rio Pardo
Prédio de mais de 130 anos da Estação Férrea é afetado por ações do tempo e de vandalismo