O 4º Distrito é uma das regiões mais vibrantes de Porto Alegre, nos âmbitos cultural e econômico. Mas empresários da região afirmam que, ao mesmo tempo em que oportunidades borbulham na área, há uma sensação de esvaziamento causado pelo paradoxo do fechamento de empresas, comprometendo a reação de uma região duramente afetada pelas enchentes de 2024, e pela falta de segurança. Ruas desertas, placas de aluga-se e vende-se estão por várias ruas, principalmente a avenida Farrapos e vias próximas.
"A gente vê muita morosidade do poder público", apontou o presidente da Associação dos Empresários do 4º Distrito (AE4D), Arlei Romeiro. "E não é apenas do município, mas também nas esferas estadual e federal", acrescentou. Segundo ele, cada porta fechada custa, no mínimo, três empregos diretos. Em dezembro, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Eventos (Smdete) promoveu o Seminário +4D - Consolidando estratégias para a renovação urbana do 4º Distrito, com boas ideias no papel, algo que, na prática, não se concretizou ainda.
Duas semanas depois do encontro, realizado no Instituto Caldeira, no coração do 4º Distrito, o prefeito Sebastião Melo assinou o decreto 23.605/2025, que trouxe um certo alento na ocasião, mas "não refletiu o resultado que imaginávamos", disse o presidente da AE4D. A legislação reduziu o IPTU em áreas alagadas pela enchente, mas Romeiro diz que, na prática, a implementação não refletiu a desvalorização real dos imóveis.
Lixo, abandono e depredação pelas ruas do 4º Distrito
Diante do impasse, a associação promoveu uma assembleia extraordinária e redigiu uma explicação formal ao Gabinete do Prefeito e à Secretaria Municipal da Fazenda, pedindo explicações sobre os incentivos fiscais. "Não queremos perder este grande potencial que há naquela região para empreender, gerar renda, emprego e melhorar a economia como um todo. Não há, em nenhum outro lugar do Estado, uma região como o 4º Distrito, que reúna tantos serviços em um ambiente apenas. Se, com tudo isto, não chamar a atenção devida do poder público, estamos no caminho errado", salientou ele.
Contestações da Prefeitura
A Smdete contesta as falas de Romeiro. Conforme Paulo Figueiró, diretor do 4º Distrito da secretaria, o decreto promulgado é uma “medida emergencial de mitigação de perdas patrimoniais, com foco em imóveis impactados por desastre climático, e não um instrumento estruturante de política de estímulo à atividade econômica ou ao comércio”.
“Os incentivos de caráter estrutural voltados ao 4º Distrito estão inseridos no Programa Centro +4D. Este conjunto normativo estabelece diretrizes permanentes de requalificação urbana e desenvolvimento econômico do território”, disse Figueiró. Para ele, a dinâmica de abertura e fechamento de estabelecimentos no 4º Distrito está associada a um conjunto de fatores macro e conjunturais, desde os impactos prolongados da pandemia de Covid-19, os efeitos econômicos e físicos, além de um cenário nacional de consumo retraído e crédito com custo elevado.
“Relacionar a eventual evasão de comércios ao desempenho de um redutor de IPTU de natureza emergencial não reflete o desenho da política pública para o território e desconsidera o caráter estruturante e contínuo dos instrumentos de desenvolvimento urbano e econômico em vigor para o 4º Distrito”, salientou o diretor. A Brigada Militar (BM) afirma fazer rondas na região.
Já a Secretaria Municipal de Segurança (SMSeg) disse vir realizando, desde 2025, um conjunto de ações para qualificar e reordenar o Loteamento Santa Terezinha, no 4º Distrito. “Entre as medidas, está a operação integrada de fiscalização contra depósitos irregulares de ferro-velho, com apreensão de fios de cobre furtados e autuações, além da implantação de uma base operacional da Guarda Civil Metropolitana (GCM) no Viaduto da Conceição”, disse nota da SMSeg.