Cidades

Abrigados das enchentes retornam à Escola Técnica Mesquita, em Porto Alegre, para dia de celebração à vida

Local, que abrigou mais de 200 pessoas durante 22 dias, recebeu moradores resgatados para dia lúdico e de lembranças da solidariedade e acolhimento

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre e a Escola Técnica Mesquita realizam o evento "Da Memória Ninguém Apaga", marcando um ano da criação do abrigo emergencial que acolheu mais de 200 pessoas durante a enchente em maio de 2024
O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre e a Escola Técnica Mesquita realizam o evento "Da Memória Ninguém Apaga", marcando um ano da criação do abrigo emergencial que acolheu mais de 200 pessoas durante a enchente em maio de 2024 Foto : Camila Cunha

A emoção tomou conta da Escola Técnica José César de Mesquita, no bairro Cristo Redentor, em Porto Alegre, neste sábado. Pessoas abrigadas no local durante as enchentes de maio do ano passado foram convidados para um dia lúdico e de alegria, com samba, brincadeiras e guloseimas, nem de longe lembrando a tristeza e a angústia vividos em 2024, nesta mesma época. A iniciativa foi do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre (Stimepa), mantenedora do colégio.

“Este evento é para relembrar tudo o que aconteceu, a solidariedade, o acolhimento que tivemos aqui, mas principalmente para podermos cobrar também para que isto não aconteça mais. Queremos políticas públicas efetivas e que este pessoal possa adquirir sua casa em um local que não seja de risco”, disse o presidente do sindicato, Adriano Souza Filipetto. “A gente quis trazê-los aqui em um outro momento, onde eles possam olhar aquilo como um passado e vislumbrar o futuro”, completou.

O abrigo do Mesquita foi aberto em 3 de maio de 2024, e as pessoas foram trazidas ao local especialmente de lugares como a Vila Farrapos e o bairro Humaitá. Ao todo, foram 217 pessoas, que permaneceram no local por 22 dias, com atendimento médico e psicológico, alimentação e higiene. Após isto, todos foram encaminhados ao abrigo do Sesi, no bairro Rubem Berta, em razão da retomada das aulas.

“Mas continuamos dando apoio até eles saírem dali e voltarem para suas casas”, disse Filipetto. A diretora da escola, Claudete Souza Oliveira, contou que montar um abrigo no local foi um grande desafio, porém ver o resultado após todo este tempo é compensador. “No início, precisávamos muito de voluntários, e depois, começamos a preparar uma formação para eles, porque somos uma escola técnica que atua com isto. Achamos que tudo duraria uma semana, mas começou a se prolongar. Esta é uma escola que tem 62 anos, e que sempre trabalhou na lógica da solidariedade, de se colocar no lugar do outro”, afirmou ela.

Fotografias feitas na ocasião do abrigo foram também expostas, dentre as quais, uma que mostra um momento de súplica da recicladora Lilian Beatriz Borges da Rosa, moradora do bairro Navegantes, e que retornou para a mesma casa, um pouco mais reformada, depois das enchentes.

“Foi um momento muito desesperador, achava que não ia conseguir recuperar minha vida de volta. E achava que, depois daquilo, tudo mudaria para pior, e aquilo aconteceria de novo. Mas graças a Deus e ao pessoal do Mesquita, tudo deu certo. Naquele momento estava muito desesperada para voltar para minha casa. Tenho uma filha de quatro anos, e até hoje, quando ela escuta uma chuvinha, ela chora, me abraça, se treme toda. Estamos recomeçando até hoje. Minha ideia é, no futuro, parar de reciclar e conseguir uma casinha um pouco melhor, um patiozinho para ela brincar e plantarmos alguma coisa”, disse Lilian.

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