O Ginásio do Departamento Municipal de Habitação (Demhab), localizado no bairro Santana, foi aberto e está preparado para receber, 24 horas, até 50 pessoas atingidas pelo temporal. No final da tarde desta sexta-feira, moradores do Beco da Morte, no Morro Santana, foram levadas até o local por um ônibus disponibilizado pela prefeitura.
O secretário-adjunto do Demhab, Luky Vieira, explicou que até o início da tarde já haviam 20 pessoas acolhidas. “Desde cedo nossas equipes estão circulando em várias partes da cidade para pedir que famílias que vivem em áreas de risco deixem suas casas e procurem abrigo”, ressaltou.
As estruturas dos beliches foram montadas pelo exército. Quem acessar o local receberá material de higiene, café da manhã, almoço, jantar, lanche e poderá tomar banho. Até o início da noite, 59 pessoas já haviam passado pelo local. Uma família com seis pessoas foi encaminhada para uma pousada. Outra família com três pessoas para um abrigo e uma mãe com uma bebê para uma casa de acolhimento de mulheres.
O Ginásio do Demahb foi um dos locais em que o prefeito Sebastião Melo visitou após o temporal. Ele afirmou que são muitas as ações que estão sendo executadas, e que a maior dificuldade é a ligação da energia elétrica.
“Abrimos o Ginásio e a comunidade indígena está sendo acolhida pelo padre Ceron. Estamos fazendo todos os esforços para dar dignidade para as pessoas. A cidade está alagada, estou voltando agora do extremo Sul, as pessoas estão apavoradas na Juca Batista, não tem luz, não tem água. A situação é muito difícil. Olhar aquelas pessoas e crianças com pés no chão é muito duro. Precisamos repensar a cidade do ponto de vista da drenagem urbana. Que é uma pauta do nosso governo”, declarou Melo.
A família da Ieda Márcia é composta por seis pessoas e mora no Beco da Morte há mais de 36 anos. Eles afirmaram que é a primeira vez que a família foi retirada do local que é definido como uma área de risco. Fabrício tem 28 anos e foi até o ginásio acompanhar a mãe de 59 anos, o irmão de 30 anos, a sobrinha de 11 anos e pai de 78 anos. Ele disse que não ficaria no ginásio por causa do trabalho na obra logo cedo, mas não tinha medo de voltar. Ele ressaltou que essa foi a primeira vez que existiu uma preocupação em retirar a família do local. “Já teve outras vezes piores e não se importaram, dessa vez foram lá e retiraram nós. A nossa casa está em área de risco, mas tem lugares ali que ainda está pior”.