As montanhas de lixo acumulado que preenchem as calçadas das ruas da Vila Farrapos, na Zona Norte da Capital, contrastam com a maior parte das residências vazias. Por conta da necessidade de limpeza, além da precariedade da situação causada pelas enchentes, moradores ainda relutam em voltar para suas casas.
Embora algumas das principais ruas já tenham sido limpas, no interior do bairro, principalmente em algumas das vias mais humildes, os entulhos de móveis e materiais retirados predomina na paisagem. Na rua P. M. Paulo Elcy de Freitas, a moradora Elisete Miranda de Menezes, de 65 anos, era uma das poucas a estar em casa na manhã de segunda-feira.
A idosa aproveitou para estender algumas roupas e trabalhar mais um pouco na limpeza. “A gente já fez a limpeza grossa, então agora nós temos que ir fazendo o restante aos poucos. Mas o problema é o acúmulo de lixo na frente de casa e o cheiro ruim dos entulhos”, relata.
Conforme Elisete, ela é mãe de um homem tetraplégico e que necessita de cuidados especiais. A impossibilidade de retornar à normalidade, faz com que o filho tenha de permanecer na clínica em que está internado, aguardando a possibilidade de voltar para casa. “Como é que eu vou trazer uma pessoa doente para cá? Se nem eu tô conseguindo (ficar), então está muito difícil mesmo. Agora eu vim trazer umas roupas limpas para estender, mas não tenho condições de ficar, ainda mais com a pessoa assim”, comenta.
Segundo Elisete, o mau cheiro também é um dos motivos que afasta os vizinhos. “É quando a gente precisa do setor público realmente, não podemos contar. Eles começaram a limpar no outro lado da rua há uns cinco dias, mas aqui ainda não. Por isso que pouca gente voltou para casa, porque não tem condições ainda”, conclui Elisete.
Se na Vila Farrapos a situação ainda é crítica em muitos pontos, no Humaitá já há um certo ar de normalidade rondando o bairro. Nas principais ruas, já não há acúmulo de entulhos que, de acordo com moradores, foram retirados há alguns dias.
Poucos são os locais em que ainda há resíduos de móveis e materiais retirados das casas. Por outro lado, às margens da BR 290, ainda há a presença de lixo que, embora pouco volumoso, é frequente em toda a paisagem.
Na parte já limpa do bairro, como é o caso da avenida Palmira Gobbi, o zelador Rosano Simon, de 61 anos, aproveitou a manhã para retirar folhas caídas das árvores, que tomavam a calçada do condomínio em que ele trabalha, para evitar que, com a chuva, possa entupir bueiros. “Na semana passada saiu a última leva de entulhos. Aqui na frente estava cheio de lixo, mas agora já está limpo. Todos os apartamentos do térreo alagaram e tiveram grandes perdas”, explica Simon.