Cidades

Acervo resgatado da enchente retorna ao Museu Municipal de Muçum

Itens foram restaurados no Museu de História Julio de Castilhos, em Porto Alegre

Conjunto conta com mais de 150 peças
Conjunto conta com mais de 150 peças Foto : Dóris Couto / Divulgação / CP

O Museu de História Julio de Castilhos (MHJC), localizado na capital gaúcha, realizará a devolução do acervo ao Museu Municipal de Muçum, no Vale do Taquari.

Sob coordenação da diretora Doris Couto, a equipe do museu porto-alegrense também iniciará a montagem da exposição de reabertura da Casa da Cultura e Museu Pe. Lucchino Viero, que poderá ser visitada pela comunidade a partir dos próximos dias.

O conjunto de mais de 150 peças foi resgatado após a inundação causada pela cheia do Rio Taquari em setembro de 2023, que deixou a instituição e grande parte do município submersos.

A ação faz parte de uma cooperação técnica firmada entre a Prefeitura Municipal de Muçum e a Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), que designou o MHJC como responsável pela conservação dos itens. Durante o último ano, a coleção passou por minucioso processo de limpeza e restauração, com o apoio de uma ampla rede de cooperação, composta pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fundação Scheffel e dedicados profissionais.

Dentre os destaques, quatro máquinas de costura de couro foram encaminhadas à Fundação Ernesto Frederico Scheffel, em Novo Hamburgo, onde receberam tratamento especializado, por meio da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores de Couro, Calçados e Afins (ABRAMEQ).

Além disso, trabalhos especializados em marcenaria, relojoaria e arte foram desempenhados, respectivamente, por César Fuhr, Remi Scheffler e Floresta Restauro, devolvendo funcionalidade a um relógio de parede histórico, severamente danificado pela força das águas, plasticidade a uma escultura de Nossa Senhora e nova encadernação aos livros do Padre Lucchino Vieiro, que dá nome ao centro cultural da cidade.

O Curso de Museologia da UFRGS atuou através da disciplina de Práticas em Conservação Preventiva, da professora Jeniffer Cuty. Os alunos analisaram algumas peças do acervo resgatado e elaboraram um dossiê, em termos de estado de conservação e das patologias que apresentavam. Já a equipe do MHJC elaborou nova documentação museológica das peças, uma vez que as fichas originais foram perdidas na enchente, além de conceber a exposição de reabertura do Museu de Muçum.

“Essa iniciativa ressalta a importância da preservação do Patrimônio Cultural e da solidariedade entre instituições para superar desafios. O retorno das peças restauradas marca um momento significativo para a comunidade de Muçum, reforçando o compromisso com a memória e a identidade locais”, celebra a diretora do Museu de História Julio de Castilhos, Doris Couto.