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Agosto de 2024 foi o mês com mais hectares devastados por queimadas no RS desde 2019

Levantamento do MapBiomas, divulgado nesta quinta, mostra que fogo destruiu 31.404 hectares no Estado, mais que o dobro do mesmo período do ano passado

Porto Alegre ainda estava, nesta quinta, encoberta pela fumaça vinda das queimadas na Amazônia, além das nuvens de chuva
Porto Alegre ainda estava, nesta quinta, encoberta pela fumaça vinda das queimadas na Amazônia, além das nuvens de chuva Foto : Camila Cunha

A chuva fina que caiu na manhã desta quinta-feira em Porto Alegre reduziu levemente a sensação de desconforto causado pela fumaça das queimadas, presentes há vários dias. Na esteira disto, a qualidade do ar melhorou na área urbana, com o índice 121, mas ainda era considerada “insalubre para grupos sensíveis”, indicou a plataforma de monitoramento IQ Air, baseada na Suíça, e parceira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) a partir de imagens de satélite.

A Capital não tem equipamentos públicos que monitoram estes índices de poluição. O céu acinzentado dos últimos dias também permaneceu na Capital, porém, agora, somaram-se aos poluentes suspensos na atmosfera as nuvens de precipitação. A esperada “chuva preta” não apareceu em grande quantidade. O satélite Copernicus, da União Europeia, mostrou que a fumaça ainda deve estar presente no Rio Grande do Sul, pelo menos, até a noite do próximo sábado, quando os ventos devem empurrá-la na direção norte, fazendo com que a mesma atinja outros estados.

| Foto: Leandro Maciel / MapBiomas / Divulgação CP

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre afirma que houve 276 internações por questões respiratórias entre o último domingo e a manhã de quinta, liderando o ranking de doenças relacionadas. No entanto, a pasta afirmou que a proporção tem se mantido estável em relação ao ano passado, e não pode precisar se elas têm relação com a fumaça. Enquanto isso, a área queimada no RS apenas em agosto foi de 31.404 hectares, a maior em um mês desde o começo do levantamento, em janeiro de 2019.

O número é mais do que o dobro em relação ao mesmo mês de 2023, quando foram 15.530 hectares. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira pelo MapBiomas, por meio da ferramenta Monitor do Fogo. Tradicionalmente, ainda conforme estes dados, agosto é o mês com o maior registro de queimadas no território gaúcho. Com isso, a soma de oito meses de 2024 já superou todo o ano passado no Rio Grande do Sul, quando foram queimados 29.590 hectares, e 2021, com 23.433 hectares.

Até o momento, de janeiro a agosto de 2024, a queima atingiu 37.169 hectares, 40% a mais sobre os 26.379 de 2023, enquanto o recorde de um ano todo foi em 2022, com 58.926. Curiosamente, o bioma Pampa, que somente está presente no RS, registrou 2.701 hectares de área queimada entre janeiro e agosto, 67% a menos do que os mesmos meses de 2023 e o menor valor dos últimos três anos.

Segundo o estudo, o padrão está associado com a maior umidade observada nesta região, com chuvas acima da média para o período. O Pampa foi o único bioma brasileiro sem aumento da área incendiada. A nível nacional, no Cerrado, 2,4 milhões de hectares foram queimados apenas em agosto, ou 43% de toda a queima em biomas no Brasil, liderando o levantamento. Todos os municípios gaúchos que registraram, em agosto, maior índice de incêndios foram da região dos Campos de Cima da Serra.

Lidera o levantamento São Francisco de Paula, com 10.820 hectares, seguido por Bom Jesus, São José dos Ausentes, Jaquirana e Cambará do Sul. Os efeitos da fumaça, diretamente causada pela circulação dos ventos provenientes das queimadas na Amazônia e Cerrado, afetam ações e eventos no Estado. Nesta quinta, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) de Porto Alegre expediu recomendação para evitar atividades ao ar livre e prática esportiva até o próximo domingo, a partir de orientação da SMS.

Conforme a Smed, alunos com problemas cardíacos, respiratórios graves e imunológicos terão, se for o caso, suas faltas justificadas. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) suspendeu também a caminhada “O Amor Vive”, voltada à conscientização sobre a doação de órgãos, que ocorreria na orla do Guaíba, no sábado, justificando orientações conjuntas com a Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) com a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).