Alagamentos, rachaduras e buracos: motoristas ainda enfrentam transtornos em ruas atingidas pela cheia em Porto Alegre

Alagamentos, rachaduras e buracos: motoristas ainda enfrentam transtornos em ruas atingidas pela cheia em Porto Alegre

Prefeitura aguarda limpeza de trechos para finalizar levantamento dos prejuízos estruturais causados em vias da Capital

Correio do Povo

Motoristas precisam fazer desvios por conta de trecho com alagamento na rua Voluntários da Pátria

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Os cerca de trinta dias em que a água do Guaíba avançou sobre Porto Alegre deixaram diversas marcas físicas, tanto nas paredes dos imóveis como nas ruas e avenidas. Quem anda de carro ou transporte coletivo nas áreas que ficaram alagadas percebe os danos causados na estrutura das vias. Buracos, rachaduras, desnivelamento e até mesmo afundamento de ruas são situações notadas em uma curta circulada por Porto Alegre.

Os maiores danos podem ser conferidos na zona Norte e Quarto Distrito. Na rua Voluntários da Pátria, no bairro São Geraldo, no trecho onde q via é de cimento, os blocos de concreto apresentam longas rachaduras e desníveis. Ainda na Voluntários, no cruzamento com a avenida Sertório, há um grande ponto de alagamento, com água vertendo dos bueiros, que causa a interrupção do trânsito.

Para passar da zona Norte para a região Central, os motoristas precisam fazer um desvio por dentro do bairro Navegantes, que resulta em um aumento no tempo da viagem. No Praia de Belas, uma das ruas mais atingidas é a 17 de Julho, onde buracos foram criados na camada de asfalto após a cheia.

Morador da Ilha Grande dos Marinheiros, Antônio Araújo de Oliveira relata que seu tempo de deslocamento de casa até a Zona Norte, onde está consertando um caminhão atingido pela cheia, aumentou em função dos transtornos no trânsito da Capital. “Vira um caos. Para vir no caminhão, que está na A. J. Renner, tenho que fazer todo um desvio pela Farrapos. Para ir embora para casa também. Antes, pegava a Voluntários e acessava a ponte. Agora vai mais de 10 minutos para fazer essa volta”, lamentou.

Auxiliar de uma empresa que trabalha com transporte, o morador de Campo Bom, Thiago Lacerda, também aponta a necessidade de buscar rotas alternativas que aumentam o tempo gasto com deslocamentos em função dos estragos. “Tem vários pontos no São Geraldo, Navegantes e Humaitá que estão com problemas. Mas a rua Voluntários da Pátria é uma importante rota para a gente. Agora, por exemplo, temos uma entrega a 500 metros desse ponto de alagamento da Voluntários, mas para chegar lá, precisamos ir até a Farrapos até quase no Centro e voltar. Dá no mínimo mais uns 15 minutos de deslocamento”, completou.

Conforme a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Smsurb) da Capital, equipes técnicas da pasta ainda estão realizando o levantamento de vias que apresentaram danos estruturais após a enchente, assim como o custo para a recuperação destes pontos. Entre os trechos que ainda precisam passar por avaliação estão os locais onde entulhos foram recolhidos por último.

Após a lavagem das ruas onde a água baixou por último, será possível levantar os prejuízos estruturais de forma completa nas vias de Porto Alegre. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) ressalta que só libera o trânsito quando atesta condições de segurança para os motoristas. Além disso, a empresa destaca já ter realizado 106 serviços de manutenção da sinalização viária atingida pela cheia, como substituição e reposicionamento de placas.

Já com relação ao ponto de alagamento no cruzamento da rua Voluntários da Pátria com a avenida Sertório, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) reforça que a responsabilidade pela drenagem da água é da casa de bombas da Trensurb, pois se trata da bacia rodoferroviária, que também contribui no escoamento da parte baixa das ruas da região. A estrutura da empresa metroviária foi atingida durante a enchente e parou de funcionar.

Em nota, a Trensurb reforçou que foram feitas diversas tentativas de drenagem, com o apoio da Petrobras, mas a água volta a alagar o local por conta de chuva e pelo nível ainda alto do Guaíba. Uma empresa foi contratada emergencialmente para realizar a limpeza e retomar o funcionamento da casa de bombas nesta semana. A partir da recuperação, haverá uma transição para que a estrutura passe para a gestão do Dmae.


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