Completou 53 anos neste mês a única instituição do Rio Grande do Sul a prestar auxílio presencial à prevenção do suicídio e valorização da vida. A AMA Amigos Anônimos, de Porto Alegre, mantém um grupo de voluntários capacitados para atendimento também pelo telefone, WhatsApp e redes sociais. “Sempre digo que a AMA faz jus a um nome, primeiro pelo amor que nós buscamos dar aos atendidos, mas em especial somos amigos anônimos mesmo”, salienta o presidente e plantonista Alison, de nome completo preservado a pedido do entrevistado.
A entidade atende todos os dias, das 10h às 22h, embora o horário pode ser estendido se houver conversa em curso, preservando a discrição do usuário. Fundado em 1971 por Zélia Lacassagne, o serviço tem hoje 26 voluntários, incluindo estagiários, que se revezam em turnos de três horas semanais cada, a fim de principalmente proporcionar uma “escuta ativa e sem julgamentos”, observa ele. “Os problemas começam de uma maneira minimalista, muitas vezes com uma solidão. São pessoas que estão deprimidas por não terem com quem conversar”, acrescenta. A fim de abarcar uma demanda de público cada vez mais jovem, a instituição tem buscado voluntários também destas faixas etárias.
Alison observa que a AMA, inspirada em uma instituição da Inglaterra, cresceu desde então, agregando conhecimento, histórias de todo o país e pessoas dispostas a ajudar, dado o crescente índice de adoecimento mental e, em paralelo, a preocupação com esta saúde. Uma das voluntárias é a coach Maria, atuante há apenas cinco meses, e de nome completo também preservado. Ela disse ter conhecido a entidade por uma amiga que já fazia parte do grupo. “Me motivou ajudar as pessoas, de alguma forma, fazer algo pelo mundo, só não sabia exatamente como. Mas me encontrei aqui na AMA, escutando as pessoas e doando meu tempo”, afirmou Maria.
Em média, a AMA realiza cerca de 750 atendimentos mensais, número que quase dobra para 1,6 mil nos meses de novembro e dezembro. Mas durante e após as enchentes de maio, segundo ela, o número cresceu novamente. Já o trabalho da entidade não parou, sendo então, e assim até hoje, de acolhimento. “Até hoje estamos atendendo pessoas que estão voltando agora para suas casas, porque elas querem contar o que estão passando e falar do seu sofrimento. Percebemos que elas ainda não conseguiram resolver o que aconteceu. Ficou todo aquele sentimento”, disse a voluntária.
Para entrar em contato com a entidade, o telefone é o (51) 3211-2888, ou WhatsApp (51) 99717-2525. No Instagram, a conta oficial é a @amaamigosanonimos. A AMA fica na Rua Osvaldo Aranha, número 1022, sala 711, bairro Bom Fim. Os contatos são os mesmos para quem deseja ser voluntário.