Nos últimos dias, o nevoeiro causou transtornos em Porto Alegre, afetando as operações no Aeroporto Internacional Salgado Filho, e, neste cenário, a segurança é fundamental. O complexo aeroportuário dispõe de sistemas avançados para driblar a baixa visibilidade, com iluminação e equipamentos de ponta e treinamentos constantes, disse o diretor de Operações do aeroporto, Fabrício Cardoso. “O sistema de pouso por instrumentos de que dispomos acaba sendo um dos mais modernos em operação no Brasil”, salientou ele.
É o ILS Cat II, sigla em inglês para Sistema de Pouso por Instrumentos Categoria II, que começou a operar na Capital em junho de 2014, antes da Fraport obter a concessão do local, foi afetado pelas enchentes de dez anos depois e está operacional novamente agora. Com ele, segundo o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) da Força Aérea Brasileira (FAB), é possível que pilotos pousem com camadas de nuvens de até 30 metros, ou 100 pés, e visibilidade horizontal de 350 metros sobre a pista, sendo que houve momentos nesta semana em que a visão do local foi de apenas 50 metros.
Ainda com o Cat II, as decolagens podem ser feitas com visibilidade mínima de 400 metros. “O sistema é um conjunto de antenas que são duas informações: o eixo da pista, para que a aeronave consiga saber que está pousando no meio dela, e não na borda, e outro equipamento que dá a chamada razão de planeio, ou de descida, para que ele consiga saber que está tocando no início da pista, tendo, com isso, toda a superfície dela para desacelerar”, explicou Cardoso.
No entanto, também a aeronave precisa ser apta para receber este tipo de sinal. Mesmo assim, a amplitude do nevoeiro, algo que, na época de inverno, é relativamente comum no Rio Grande do Sul, pode demandar a suspensão temporária das atividades, segundo regras internacionais. Existe um plano de contingência neste caso, envolvendo duas frentes.
Aeroporto Internacional Salgado Filho sob densa neblina
“Fazemos contato direto com os lojistas, para que eles tenham um reforço de insumos, principalmente alimentação, porque sabemos que a permanência dos passageiros será maior, e também equipes de limpeza, pois entendemos que vai haver mais trânsito de pessoas e busca por sanitários, tudo para não estressar ainda mais o passageiro”, comentou ele em relação à primeira frente. A segunda, no pátio, trabalha para remover o maior número possível de pessoas e veículos da área operacional, atuando com procedimentos de comunicação e sinais luminosos para que não haja obstáculos.
O Salgado Filho conta também com o chamado ILS Cat I, acionado quando as condições de nevoeiro são menos extremas. Existe ainda o ILS Cat III, subdividido em categorias de A a C, representando níveis ainda mais avançados de operação, mas que nenhum aeroporto brasileiro dispõe. Questionado se convém uma melhoria para este sistema no Salgado Filho, dada a recorrência de nevoeiros, Cardoso disse que seria um “investimento altíssimo e antieconômico” considerando o clima da Capital, além de que poucas aeronaves trabalham com esta categoria específica.
“Se formos colocar em razão do tempo durante o ano, acaba não sendo justificável este upgrade. Para as condições climáticas do aeroporto, o Cat II atende praticamente 360 dias do ano”. De qualquer maneira, em caso de transtornos, os passageiros devem buscar as companhias aéreas, que são responsáveis por reacomodações em outros voos, acolhimento na rede hoteleira e alimentação, além de buscar informações nos painéis de voo do Salgado Filho. “A prioridade é sempre manter uma operação segura e preservar vidas”, disse ele.
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Piloto tomou decisão de voltar a SP em cinco minutos, relata passageiro em voo
Nesta semana, “transtorno” foi o que resumiu um jornalista gaúcho, que não quis se identificar, e que decolou de São Paulo em uma aeronave da Latam às 21h40min do último domingo, e com previsão de pouso na Capital gaúcha às 23h30min. “Na saída, o próprio piloto disse que as condições em Porto Alegre eram boas, mas que havia algumas nuvens no céu. Começamos a sobrevoar o Rio Grande do Sul por volta das 22h50min, quando o piloto anunciou que iniciavam o procedimento de pouso e que a previsão de chegar ao Salgado Filho havia sido reduzida para 23h10min”, contou ele.
Pouco depois das 23h, o piloto avisou que a situação no céu de Porto Alegre havia se deteriorado, e que uma definição sairia em cinco minutos. “Passou esse tempo, ele disse que havia piorado de vez, e que o aeroporto estava fechado por conta da baixa visibilidade pra pouso. O piloto comunicou que ficaríamos cerca de meia hora sobrevoando o RS e aguardando para ver se a situação melhorava”. Vinte minutos mais tarde, foi anunciado um retorno ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, e que a companhia informaria sobre assistência aos passageiros. O pouso em São Paulo foi à 1h de segunda-feira.
Com um contingenciamento já pronto, a empresa disponibilizou veículos de aplicativo e reserva em um hotel próximo. Ele conseguiu um novo voo para Porto Alegre às 14h45min e o pouso na Capital gaúcha foi por volta das 16h20min. “Havia um passageiro comentando que era médico, e ele e mais alguns tinham cirurgia marcada para segunda de manhã, que certamente seria cancelada. Sabendo que na aviação é melhor nem tentar se não ter certeza de que vai dar certo, a sensação é de que seria mais seguro desistir do voo e voltar para São Paulo, porém é um grande transtorno”, completou.