O município de Cacequi, localizado no Vale do Jaguari, região Oeste do Estado, ainda está contabilizando os prejuízos causados pelas recentes chuvas de junho. O município registrou fortes chuvas no final de maio e, depois, de 15 a 17 de junho choveu cerca de 400 milímetros na região.
Com isso, quase todos os moradores da cidade, de cerca de 11.157 habitantes, foram afetados. A prefeitura contabilizou 73 pessoas acolhidas em abrigos municipais e cerca de 435 desalojados em casas de parentes e amigos.
Na área urbana, pelo menos dois bairros ficaram alagados. Comunidades rurais dos distritos de Capela do Saica e São Lucas ficaram ilhadas e precisaram ser retiradas de casa no dia 19. Em São Lucas, alguns moradores tiveram as casas submersas.
Nas proximidades, outra fazenda que abrigava uma comunidade terapêutica para dependentes químicos também foi alagada e os moradores levados para abrigo em uma igreja.
“Lá (no distrito de São Lucas) a única locomoção para quem precisasse sair era com trator. Eles ficaram com a água totalmente cobrindo as casas, entrou mais da metade, algumas até próximo ao teto. Tiveram que sair para a casa de parentes e abandonar as residências”, contou a secretária de Agricultura do município de Cacequi, Rute Lied.
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A prefeitura soma cerca de 40 mil reais em prejuízos relativos a obras públicas, como estragos em ruas, pontes e pontilhões. E aproximadamente 2 milhões de reais já foram gastos na contenção de danos causados pela enxurrada.
O município teve prejuízos ainda não contabilizados em praticamente todos os setores produtivos, como agricultura, pecuária e comércio.
Durante as chuvas de junho, os três rios que atravessam a cidade extravasaram, são eles os Rios Santa Marta, Cacequi e Ibicuí. Pelo menos duas pontes foram afetadas, uma delas, que divide o município de Cacequi e São Vicente do Sul, precisa ser reconstruída. As prefeituras de ambas as cidades estão aguardando o recuo das águas para tomar providências.
Agropecuária afetada
As chuvas desorganizaram a produção agropecuária, que já vinha de safras marcadas anteriormente pela estiagem. O setor é a base da economia no município.
“Os produtores até agora não conseguiram ainda fazer essas lavouras e aqueles das áreas alagadas também perderam. Está bem difícil a nossa situação”, explicou a secretária.
Decreto de emergência
A prefeita Ana Paula Del'omo homologou um pedido de decreto de emergência para o município, que ainda está em análise pelo governo do Estado.
Nesta quarta-feira, Ana Paula esteve presente em Porto Alegre para uma reunião com o Secretário de Desenvolvimento Social, Beto Fantinel, com o objetivo de apresentar a situação de vulnerabilidade vivida no município.