Cidades

Após negociação com superintendente, manifestantes liberam trecho da BR 290

Rodovia ficou bloqueada em diferentes trechos por mais de três horas na Capital

Superintendente da Caixa esteve na BR 290 para conversar com manifestantes
Superintendente da Caixa esteve na BR 290 para conversar com manifestantes Foto : Fabiano do Amaral

Após mais de três horas, foi totalmente liberado por volta das 19h40min, o trânsito na BR 290, próximo à nova ponte do Guaíba, No local, moradores de diversos bairros da Zona Norte de Porto Alegre pediam à Caixa e ao governo federal esclarecimentos sobre a aquisição de novas casas através do programa Compra Assistida. Entretanto, em ambos os sentidos ainda há bloqueios intermitentes na BR 290, na região das ilhas.

Entre o final da tarde e o início da noite, ambos os trechos ficaram com trânsito totalmente bloqueados. Segundo os manifestantes, a principal reivindicação é pelo aumento do prazo para a aquisição das novas casas pelo programa Compra Assistida. Segundo eles, assim que selecionados os compradores têm 60 dias de prazo para fazer a aquisição, mas alegam ser um prazo muito curto. Assim, foi exigida a presença do superintendente da Caixa, Renato Scalabrin, e também do comandante da Secretaria de Apoio à Reconstrução do RS, Maneco Hassen, no local para desocupar as pistas.

Por volta das 19h, Scalabrin se dirigiu até o trecho interrompido sob a nova ponte, onde se reuniu com lideranças dos moradores e com a população que fazia a manifestação. Após cerca de 30 minutos de conversa, ficou acordado acertado que um novo encontro ocorrerá amanhã às 14h, entre as lideranças comunitárias e a Caixa.

Depois de findada a primeira reunião, os representantes da Caixa seguiram para a região das ilhas do Guaíba, onde uma nova reunião será realizada com os líderes locais.Conforme a PRF, o trânsito foi liberado por volta das 20h50min no local.

Questionado sobre as demandas solicitadas pelos moradores, Scalabrin apenas confirmou a reunião de amanhã, mas informou que não daria entrevista.

Aos moradores, o superintendente informou que cada caso deve ser levado aos líderes comunitários para ser levado à Caixa. Além disso, disse que todos moradores já selecionados serão contatados por telefone, para que a instituição entenda como está o andamento do processo.

Moradores têm receio de não poder escolher a casa

Embora com algumas diferenças, a situação dos moradores de ambos os trechos bloqueados é semelhante: o receio com os prazos para a escolha da nova casa através do programa Compra Assistida.

Segundo eles, os compradores têm 60 dias de prazo para fazer a aquisição, mas somente a análise dos documentos necessários pode demorar um mês, o que inviabilizaria a compra e seriam obrigados a ir para imóveis indicados pela Caixa Econômica Federal. “Queremos que a Caixa emita uma nota oficial sobre o prazo de 60 dias. Eles têm que esclarecer esse prazo, porque segundo o Maneco Hassen, ao estourar o prazo de 60 dias, o beneficiário perde o direito à compra assistida e é obrigado a aceitar um outro programa habitacional. Ou seja, um conjunto habitacional que vai ser construído, sem nem saber quando”, afirma a integrante do comitê das Ilhas e organizadora da manifestação, Fernanda da Silva Farias.

Conforme a moradora das ilhas, Simone Macedo Borges, ela já foi contemplada pelo programa e chegou a escolher três casas, mas todas foram reprovadas. Ela questiona a burocracia para liberação. “A gente está ficando até doente dos nervos por causa disso. Foram três casas que eu vi, encaminhei os papéis e não consegui”, contou.

Problema semelhante vive a moradora da Vila Tio Zeca, na Zona Norte da Capital, Mariane Moreira. No bairro, além de terem sido afetados pelas enchentes, a comunidade já aguarda há vários anos por uma nova moradia, pois precisam ser removidos do local para o término das obras de acesso à nova ponte do Guaíba.

Após as enchentes, mesmo agora beneficiários do Compra Assistida, os moradores ainda alegam demora para que recebam as chaves. “Eu escolhi a casa há dois meses e mesmo assim a caixa não paga o proprietário. Eles alegam que o trâmite é demorado”, relatou Mariane.

Assim como ela, os demais casos também deverão ser transmitidos às lideranças, para que a Caixa analise a situação de cada um e consiga dar andamento, conforme a manifestação de Scalabrin aos moradores.