A Portos RS disse nesta terça-feira, em nota, que acompanha a situação da dragagem do Guaíba junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (DNIT), e prevê que o contrato para a realização da batimetria seja assinado ainda nesta semana, com o desassoreamento previsto para iniciar ao final do levantamento. A declaração veio em resposta a uma dura nota da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) afirmando que há previsão de paralisação total da navegação em 30 dias, “caso não seja feita dragagem com a maior urgência possível”.
A Fiergs se posicionou na última segunda, citando uma demanda das indústrias do Polo Petroquímico de Triunfo. “Não há mais tempo! É urgente que se encontrem caminhos para agilizar o início das obras da dragagem, principalmente nos canais do Furadinho, das Pedras Brancas e da Feitoria, onde já foram registrados encalhes de navios”, declarou o presidente da federação, Claudio Bier, em correspondência encaminhada aos ministros da Casa Civil, Rui Costa, de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, da Reconstrução do RS, Paulo Pimenta, entre outras autoridades.
Na carta, a Fiergs propõe um volume máximo de dragagem para esta contratação emergencial, e que a partir disto sejam liberadas obras nos três canais, com prioridade para o Furadinho, algo que, conforme a Portos RS, já foi anunciado pelo governo federal também de maneira emergencial. “(O trecho) do Canal Furadinho é considerado por eles como o principal problema da atualidade”, diz a resposta da autoridade portuária do estado.
A preocupação da federação decorre de a hidrovia gaúcha ser “parte essencial da atividade econômica do estado, comportando um intenso fluxo de produtos químicos, fertilizantes, madeira, celulose e gás liquefeito de petróleo (GLP)”, prossegue a carta, justificando que somente a Braskem, maior companhia do polo, emprega mais de 4,5 mil pessoas direta e indiretamente, “além de responder por uma contribuição bilionária em tributos”.
Há algumas semanas, foi aventada a possibilidade de a acumulação dos resíduos das enchentes de maio causar prejuízos à navegação, representando uma adicional preocupação, já que havia sido criada uma nova ilha de areia junto às Balseiras, defronte à zona Sul de Porto Alegre. No entanto, a Portos RS rechaçou esta relação, afirmando que o acúmulo foi registrado distante do canal de navegação, não interferindo na passagem de navios.